Em vistoria realizada pelas equipes do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), no início desta semana, foi constatado escalas incompletas e subdimensionamento de médicos, agravando a desassistência no atendimento da emergência do Hospital de Pronto Socorro de Canoas. O Cremers solicita a intervenção do Governo do Estado na gestão da saúde do município desde o dia 6 de maio.
Segundo informou o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, a equipe da fiscalização esteve no município para checar as informações apresentadas pela Prefeitura de Canoas mediante decisão judicial, que determinou um prazo de até 48 horas, a partir da audiência realizada na sexta-feira, para apresentação das escalas médicas completas e comprovação de contratação dos profissionais.
"Essa briga administrativa entre prefeitura e o Instituto não pode afetar o atendimento à população. No local identificamos que as equipes não estão completas e em um hospital de trauma precisamos que as escalas estejam com profissionais de acordo para atender prontamente os pacientes politraumatizados que ali chegam. Não pode haver nenhuma deficiência, porque quem sofre é a população." De acordo com o vice-presidente do Conselho, hoje sem um cirurgião vascular ou um neurocirurgião, existe um risco assistencial.
A situação percebida pelas equipes de fiscalização do Cremers já foi comunicada à Justiça de Canoas e também para o Ministério Público. "As ações de fiscalização vão acontecer de forma constante e frequente até que este imbróglio administrativo seja completamente resolvido. Nós precisamos garantir uma assistência digna para a população em um hospital de trauma, pois hoje existe uma insegurança no atendimento."
Quanto ao pedido de intervenção do Governo junto ao sistema de saúde do município, Trindade disse que essa é uma reivindicação antiga diante da precariedade do que se é oferecido aos pacientes. "Precisamos de ações contundentes, com uma estrutura adequada, equipes completas, materiais a disposição e insumos. Sem isso, a população fica desassistida." Canoas é referência para mais de 150 municípios gaúchos e atende cerca de 3 milhões de habitantes. A prefeitura de Canoas foi procurada para comentar a situação, mas ainda não se manifestou.
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