Saúde

Dia Mundial de Combate ao Câncer traz o debate do cuidado humanizado

Médica e paciente destacam como acolhimento, escuta e personalização fazem diferença em cada etapa do tratamento

Para o triênio 2023-2025, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou uma estimativa alarmante sobre o câncer no Brasil. Segundo o levantamento, mais de 704 mil novos casos da doença devem ser registrados no país a cada ano. No Rio Grande do Sul, o cenário também é desafiador: até o fim deste ano o estado deve ter 52.620 novos diagnósticos. Por isso, neste Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta terça-feira, a Oncoclínicas reforça a necessidade de um cuidado personalizado, amplo e humanizado aos pacientes oncológicos.

“O câncer impacta não apenas o paciente, mas também todos ao seu redor. O tratamento oncológico vai além da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Assim, é essencial enxergar o paciente de forma integral. O acolhimento, o cuidado e a maneira como o tratamento é planejado, levando em conta a realidade de cada pessoa ao longo do processo, fazem toda a diferença nos resultados”, explica a oncologista Letícia Rossato, da Oncoclínicas Porto Alegre.

Para a médica, o foco na individualização do tratamento e no trabalho de equipes multidisciplinares é um diferencial no atendimento aos pacientes oncológicos. “O câncer é um dos principais desafios de saúde atualmente e tende a se tornar ainda mais prevalente nas próximas décadas, especialmente entre os jovens, onde o aumento é notório. Para enfrentar esse cenário, é essencial promover campanhas de prevenção, diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao tratamento oncológico no país. Isso só será possível por meio de investimentos em inovação, medicina de precisão e abordagens personalizadas que considerem as particularidades de cada paciente ao longo de sua jornada”, destaca a especialista.

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Aos 36 anos, a terapeuta ocupacional Iana Vieira Strzykalski, moradora de Porto Alegre, viu sua rotina mudar completamente com a suspeita de um câncer de mama em 2024. Mãe de um menino pequeno, ela conta que o impacto do possível diagnóstico foi devastador. “A sensação que eu tive foi de que o chão sumiu. Pensei imediatamente que iria morrer, que não veria meu filho crescer. Foi um pavor imenso”, relembra.

Além do tratamento medicamentoso, a paciente seguiu todas as orientações para um cuidado integral, com acompanhamento multiprofissional, apoio nutricional e psicológico, “Sempre fui muito bem orientada. Faço exercícios físicos quatro vezes por semana, funcional, tênis, corrida. Tudo isso fez diferença. O sucesso do meu tratamento foi resultado de um conjunto de fatores”, completa.

Histórias como a de Iana mostram que o sucesso no tratamento passa por fatores que vão além dos protocolos clínicos. “A oncologia tem evoluído de forma exponencial nos últimos anos, com o surgimento de novos tratamentos promissores. No entanto, é fundamental que essa evolução esteja aliada à empatia e à escuta ativa, pois são esses elementos que realmente transformam a jornada do paciente. É essencial ampliar o debate sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos eficazes, mas igualmente importante é investir em qualidade, acolhimento e na construção de vínculos humanos em cada fase dessa luta contra a doença”, reforça Letícia Rossato.