A direção da Santa Casa de Caridade, de Bagé, apresentou a atual realidade financeira e operacional da instituição. Atualmente, o hospital filantrópico, que é referência em saúde para seis cidades da região da Campanha, enfrenta dificuldades financeiras, com um déficit que ultrapassa R$ 1,2 milhão por mês.
A receita média mensal é de aproximadamente R$ 6,9 milhões, enquanto as despesas operacionais superam R$ 8,1 milhões. Dos atendimentos realizados pelo hospital, 90% são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme a direção, a situação financeira foi agravada pela defasagem dos repasses do SUS frente aos custos reais da assistência prestada.
"Quanto maior o atendimento maior o prejuízo. Fazer saúde na Metade Sul é desafiador. O SUS paga em média R$ 9,72 por uma consulta de um especialista. A diferença acaba sendo custeada pelo hospital. Precisamos ter coragem para discutir isso", disse o diretor de Relações Institucionais, Rafael Amaral.
No mês de outubro de 2025, o Bloco Obstétrico apresentou déficit mensal superior a R$ 463 mil, enquanto a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acumulou prejuízo de R$ 825 mil. O Pronto-Socorro também opera com resultado financeiro negativo.
A direção da instituição destacou que, apesar das dificuldades, não trabalha com a hipótese de interrupção dos serviços estratégicos oferecidos à população. E colocou as contas do hospital à disposição para auditorias e demais mecanismos de fiscalização.
"Seguimos empenhados em manter os serviços em funcionamento, garantindo atendimento à população e buscando soluções que preservem a qualidade e a continuidade da assistência", garantiu o vice-provedor, Carlos Eduardo Oliveira Santos.