Hospitais e pronto-atendimentos de Porto Alegre estão operando com superlotação de mais de 200%, e restringindo atendimentos nas emergências hospitalares, pressionadas pela alta demanda de pacientes. A internação de pacientes em hospitais de média e alta complexidade supera a capacidade disponível de leitos, ao mesmo tempo em que há baixa rotatividade, ou seja, os pacientes permanecem internados por períodos prolongados, impedindo a liberação de novos leitos.
De acordo com o painel de ocupação de pacientes da Secretaria Municipal de Saúde, na manhã desta sexta-feira, a Santa Casa de Porto Alegre está operando com 257% de ocupação. No Hospital de Clínicas, a emergência adulto está com 127 pacientes e com atendimento apenas a casos graves. A pediatria, com 25 pacientes, está superlotada, também restringindo atendimento a casos de maior gravidade.
O Hospital São Lucas da PUCRS ainda está operando em modelo de atendimento referenciado por conta de obras. A emergência está fechada, e os pacientes estão sendo absorvidos em outros pontos do hospital. Mesmo após a implantação do novo fluxo, o hospital está registrando aumento na procura por atendimento espontâneo, incluindo casos graves que não foram encaminhados pelo sistema regulado.
As unidades de pronto-atendimento também registram superlotação, e a maioria dos casos são respiratórios. Na manhã desta sexta-feira, a unidade de pronto-atendimento Moacyr Scliar está operando com capacidade de 259%. Na quinta-feira, a unidade registrou ocupação de 206%. A segunda unidade mais lotada é o pronto-atendimento Bom Jesus, que opera com 185% de ocupação. Na quinta-feira, a unidade registrou 208%.
A vendedora Vanessa Silva, de 36 anos, levou para atendimento no local sua filha Dulce Mariah, de 1 ano e 10 meses, após estar há alguns dias com tosse e dificuldade para respirar. "Ontem ela deu uma pioradinha, aí tive que trazer", relatou. Vanessa está aguardando a liberação de um leito para sua filha em algum hospital. Por conta da superlotação, há dificuldade para o encaminhamento. Ela relatou que havia outra criança dentro do PA que precisou receber oxigênio, e que está há dois dias também à espera. "Falaram que estão com pouco leito, daí tem que aguardar".
Casos de SRAG seguem em nível de alerta
Desde o final de abril, o Rio Grande do Sul está em estado de emergência em saúde pública para o enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente no atendimento às crianças. De acordo com a última atualização do painel de hospitalizações por SRAG da Secretaria Estadual da Saúde (SES), o Estado já registrou 8.399 hospitalizações pela síndrome, sendo 1.845 por influenza e 341 por Covid-19, e 540 mortes. O decreto é válido por 120 dias, e pode ser prorrogado.
Segundo o último boletim InfoGripe, da Fiocruz, o RS está entre as seis unidades federativas que ainda apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 26. Ainda segundo o boletim, o aumento de casos de SRAG em Porto Alegre ocorre principalmente entre crianças menores de dois ou quatro anos de idade.
Para frear a pressão sobre a saúde pública durante o frio, o Estado também lançou o Programa Inverno Gaúcho com Saúde 2026, com 1.881 leitos a mais em hospitais para enfrentar o aumento de internações por SRAG.
Em Porto Alegre, maioria dos casos respiratórios ocorre em crianças
Dados do sistema de regulação de internações hospitalares da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, do total de casos de doenças respiratórias e síndromes gripais, 75,3% ocorreram em crianças menores de 5 anos e pessoas acima de 60 anos. A evolução dos indicadores demonstra aceleração ao longo do último trimestre. Em abril, a média foi de 33,53 internações por dia. Em maio, o índice subiu para 41,68. Em junho, chegou a 53,50 hospitalizações, enquanto que, nos últimos sete dias do mês, o indicador ficou em 53,80 internações diárias, um aumento de 60% em relação a abril.
As faixas etárias mais impactadas foram crianças de até 5 anos, com média de 12,28 internações diárias, seguidas por pessoas entre 60 e 74 anos, com 7,20 internações por dia, e idosos com 75 anos ou mais, com média de 5,80. Esses grupos estão entre os principais da vacinação contra a Influenza, mas com indicadores baixos de cobertura, segundo a pasta.