Saúde

Em plenária, Conselho Municipal discute Saúde Mental e direitos da população em situação de rua

Além de marcar Dia de Luta Antimanicomial, encontro marca 33 anos do CMS em Porto Alegre

Moderação foi da psicóloga Ana Paula de Lima, mestre em Saúde Coletiva
Moderação foi da psicóloga Ana Paula de Lima, mestre em Saúde Coletiva Foto : Mauro Schaefer

A plenária do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS) de maio trouxe à pauta uma preocupação constante deste órgão fiscalizador: o cumprimento da Política de Saúde Mental nacional na capital gaúcha. O encontro, realizado na noite desta quinta-feira também celebrou os 33 anos de atuação do CMS.

Na abertura, a coordenadora, Maria Inês Bothona Flores, destacou que a plenária fortalece a discussão sobre a garantia dos direitos da população em situação de rua no que diz respeito ao acesso à saúde, além de alertar sobre a invisibilidade dessa população também em relação à falta de dados precisos e indicadores adequados para a elaboração de políticas públicas. Também foi debatida a Lei nº 14.182, de janeiro deste ano, que instituiu a Política Pública de Internação Humanizada em Porto Alegre, reprovada pelo Conselho.

O encontro contou com a presença da defensora pública estadual Gizane Mendina Rodrigues, dirigente do Núcleo da Igualdade Étnico-Racial (NUDIER); do psicanalista Jorge Broide, prof. dr. no curso de Psicologia da PUC/SP; da profª. dra. Mônica Dowbor, do Departamento de Saúde Coletiva da UFRGS e co-coordenadora do Projeto Passa e Repassa; e do conselheiro nacional de Saúde Vanilson Torres, representante da coordenação nacional do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR) no Conselho Nacional de Saúde (CNS) e coordenador adjunto da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do CNS.

A moderação foi da psicóloga Ana Paula de Lima, mestre em Saúde Coletiva, conselheira municipal de Saúde e coordenadora da Comissão de Saúde Mental do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CSM/CMS/POA).

“Falta uma Comissão revisora das internações. Debatemos esta questão lá em 2023, naquele momento a gente vinha tendo muitas denúncias do processo de remoção forçada da população em situação de rua, e não avançamos. A lei de 2025 piora o cenário porque viola direitos humanos, vai na contramão dos princípios da atenção psicossocial, e é incompatível com a política nacional de saúde mental. Infelizmente, esse tipo de lei tem pipocado em vários estados, como tentando retroceder a lei federal da reforma psiquiátrica”, afirmou Ana Paula.