O Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM) recebeu na noite de segunda-feira (29) um evento especial, realizado pelo o Hub de Solidariedade do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), em alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro.
A iniciativa reuniu informação, música e relatos de superação, com intuito de reforçar a necessidade de ampliar o debate sobre o tema no Estado. Um dos destaques da noite foi o pocket show de Ricardo Cordeiro, o King Jim, vocalista da banda Garotos da Rua e transplantado de fígado há quase 12 anos.
Acompanhado do guitarrista Felipe Rotta, o músico mesclou canções com depoimentos sobre sua trajetória. Ele lembrou que esperou três anos até receber o órgão, doado pela família de uma mulher, e destacou que mais de 80 mil pessoas ainda aguardam por um transplante no Brasil.
“É uma oportunidade valiosa que deveria ser multiplicada, para divulgar um assunto tão importante para toda a população. Vivemos num país em que milhares de pessoas esperam para ter a mesma oportunidade que eu tive há 12 anos, de ter um pouco mais de vida e de fazer alguma coisa com esse tempo”, ressaltou o músico
Para King Jim, o diálogo é fundamental para que o tema alcance, principalmente, os lares brasileiros. “É importantíssimo que a sociedade se manifeste e converse sobre esse assunto diariamente em todos os setores, principalmente entre seus familiares. E dentro do próprio setor médico, inclusive”, reforçou.
O diretor do Simers, Jeferson Oliveira, ressaltou que a mobilização é apenas o início de uma caminhada do sindicato na área da solidariedade. “O que nos motiva é a vontade de fazer a diferença na vida de alguém, por menor que seja. Esse será o primeiro de muitos encontros que teremos”, afirmou.
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A noite também contou com a participação do instituto De Ponto a Vírgula, um projeto nasceu em 2020, idealizada por um grupo de amigos, após a perda de um jovem que aguardava transplante de pulmão. Conforme a co-fundadora, Débora Mascarello, desde então, o grupo realiza ações de conscientização em escolas e eventos culturais, incentivando que as famílias conversem abertamente sobre o tema. “Nosso objetivo não é convencer ninguém, mas garantir que as pessoas tenham informação para tomar uma decisão consciente”, explicou.
O guitarrista Felipe Rotta, parceiro de King Jim nos palcos, destacou que a música pode ser uma aliada para sensibilizar o público. “É uma forma de passar essa mensagem de maneira mais leve. Infelizmente, ainda se fala pouco sobre doação de órgãos no Brasil, e a gente tenta cumprir esse papel através da arte”, disse.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, atualmente, cerca de metade das famílias brasileiras consultadas recusam a doação de órgãos de seus entes falecidos. Como no Brasil a doação é consentida e não presumida, como ocorre em outros países, a decisão familiar é determinante.
Para os participantes do evento, ampliar o diálogo social é essencial para transformar pontos finais em vírgulas e permitir que mais vidas sejam salvas. “As pessoas têm que se atentar a essa causa, pois, se um dia elas se depararem com essa situação, entendam o quão importante é este ato, que esta acima de qualquer coisa e pode ajudar a salvar a vida de alguém”, finaliza King Jim.