Cerca de 20 militares do Exército Brasileiro, mais agentes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizaram nesta quarta-feira mais uma etapa de combate à dengue no bairro Camaquã, na zona Sul de Porto Alegre, com pulverização de inseticida em residências e orientação aos moradores. A ação busca frear o alto índice de detecções de fêmeas do mosquito Aedes aegypti em armadilhas.
Em somente uma delas, entre o bairro e a Cavalhada, na região da avenida Otto Niemeyer e rua Afonso Arinos, houve 19 insetos capturados. “Sempre monitoramos o número de casos mais recentes para fazermos este trabalho de redução da circulação do mosquito com o vírus. Onde tiver qualquer criadouro, vamos fazer esta eliminação, para que esta proliferação reduza. E ainda orientar os moradores para que façam isto regularmente”, disse o biólogo da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), Tiago Fazolo.
Conforme ele, mesmo com o frio, há ainda desenvolvimento do inseto, que morre, em média, apenas quando a temperatura reduz a menos de 10ºC por um dia. Mesmo assim, não é momento de baixar a guarda, segundo Fazolo. “O frio ajuda no combate porque diminui a velocidade do ciclo, porém não impede que ele aconteça. Como agora está um frio não muito rigoroso, portanto, podemos retardar o processo, mas não eliminá-lo”.
A pensionista Ana Maria Abdala, moradora da rua Coronel Massot, teve a casa pulverizada e aprovou a ação. “Foi ótima a visita, porque eu tenho 80 anos de idade, e imagine só se sou picada? Apesar de que sou bem protegida, com máscara e mosquiteiro dentro de casa”, observou ela. Para o chefe da equipe do Exército atuante na ação, tenente Lucas Rabelo Politano, a população tem aceitado bem o apoio dos militares e visto que há reforço na credibilidade.
Exército e Secretaria Municipal da Saúde fazem uma rodada de eliminação de possíveis focos de mosquitos Aedes aegypti no bairro Camaquã, zona sul de Porto Alegre
“Muitas vezes vai haver um pneu, uma planta, mais pesados, algo que os moradores mais idosos não conseguem levantar. Então, nosso papel é auxiliar neste sentido. Mesmo que haja uma planta mais saudável e tudo limpo dentro da residência, pode estar havendo a presença do mosquito ali. A Prefeitura informa os locais, dando este apoio técnico, e a gente está presente. Vejo que este trabalho é também algo muito prazeroso, e ficamos felizes de obter este reconhecimento”, disse ele. De maneira geral, uma casa é visitada com o inseticida, técnica oficialmente conhecida como UBV costal, dois dias após uma primeira vistoria dos militares.
Unidade de Saúde Camaquã terá atendimentos em tenda a partir desta quarta
Enquanto isso, deve abrir ainda na tarde desta quarta-feira a quinta tenda montada pelo Exército para o atendimento de pacientes com suspeita de dengue, na Unidade de Saúde Camaquã. Equipamentos como macas e cadeiras chegaram na manhã de hoje. “Ainda estamos conseguindo atender no espaço interno, mas, se não tivermos como colocar o paciente sentado ou deitado para receber o soro, ele pode vir para fora”, afirmou a coordenadora adjunta da coordenadoria de saúde Sul da SMS, Fernanda Monteiro.
Ela acrescentou que, em 2025, a região da US Camaquã, referência, desde o ano passado, na coleta de exames para a detecção da dengue, tem 40 casos positivos para a doença em 2025, porém eles estão aumentando a um ritmo preocupante. A Camaquã deve contar também com um hemoglobinômetro, equipamento já presente na US Passo das Pedras I, e que será implantado ainda nas USs Primeiro de Maio, Morro Santana, Centro de Saúde Modelo e tenda de hidratação no supermercado Stok Center, na avenida Manoel Elias, que inaugura na próxima segunda-feira.