Os desafios da adesão e os avanços do calendário vacinal brasileiro, especialmente na imunização de crianças e adolescentes, foram os temas abordados no Ciclo de Palestras promovidos pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) neste sábado, em Porto Alegre. Os palestrantes desta edição do encontro foram o diretor da Sociedade de Pediatria do RS (SPRS), Dr. Benjamin Roitman, e o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Dr. Juarez Cunha.
Ambos apresentaram atualizações científicas e experiências práticas e discutiram os principais desafios relacionados às vacinas, principalmente sobre a necessidade da ampliação da cobertura vacinal e a conscientização das famílias sobre a importância da prevenção de doenças. Os médicos gaúchos citaram ainda que é preciso buscar formas de solucionar a resistência aos imunizantes, impulsionada pela desinformação.
“Temos um calendário que é considerado o calendário de vacinação gratuito mais completo do mundo, mas que, ao mesmo tempo, torna-se muito complexo. São vacinas para quase 20 doenças, com vários momentos de aplicação e um dos motivos para o atraso vacinal é a hesitação, levando à dificuldade para manejar o calendário. Mas sabemos que a informação é a principal arma que temos. É fundamental que o profissional de saúde se apodere das informações adequadas para poder, inclusive, tirar dúvidas que a pessoa hesitante possa ter”, apontou Cunha.
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O diretor da SBIm reforçou ainda que a segurança que as vacinas oferecem para o paciente. “Entre as principais dúvidas da população está a questão das reações adversas. É importante sempre informar que a imensa maioria desses eventos adversos são leves. Sempre que as vacinas são licenciadas e incorporadas no Programa Nacional de Imunizações (PNI), significa que elas são seguras e eficazes, que a doença vai ser muito pior para a pessoa do que uma eventual reação”, completou o médico.
“O nosso principal obstáculo é aumentar os índices de vacinação das crianças. Houve um questionamento importante em relação às imunizações contra a covid 19, e isso repercutiu nas demais, diminuindo a adesão de forma geral. É fundamental que famílias e escolas conversem, incentivem e levem seus filhos e alunos para vacinar. O papel da Sociedade de Pediatria é esclarecer, alertar sobre os perigos da não vacinação e, ao mesmo tempo, eliminar inverdades sobre o tema”, finalizou Benjamin Roitman.