Desenhos feitos por crianças em tratamento no Instituto do Câncer Infantil (ICI), a partir da pergunta “O que te faz sorrir?”, ganharam novas formas pelas mãos de artistas convidados. As releituras integram uma exposição inaugurada neste sábado, no espaço Occa Moderna, em Porto Alegre. A iniciativa reúne 63 obras, cujas vendas terão os valores destinados à instituição.
A proposta começou em uma oficina do ICI, na qual as crianças expressam, por meio de desenhos, aquilo que lhes traz alegria. Depois, os trabalhos são entregues a artistas, que desenvolvem suas próprias interpretações com diferentes técnicas.
Nesta edição, as obras não serão leiloadas: estarão à venda diretamente ao público até 30 de outubro, na Occa Moderna, na rua Casemiro de Abreu, 1495, no bairro Bela Vista.
Para o fundador e diretor executivo do Instituto, Algemir Brunetto, o envolvimento da sociedade é fundamental para manter e ampliar o trabalho da instituição. “Essa exposição tem um impacto importante na sustentabilidade dos projetos, mas também um componente afetivo muito grande, porque as obras partem de desenhos das crianças em tratamento, a partir da pergunta ‘o que te faz sorrir?’. Os artistas fizeram uma releitura desses desenhos, cada um com seu olhar, e isso proporcionou uma conexão muito bonita entre as crianças e os artistas”, ressaltou.
Segundo o diretor do ICI, Marcelo Renner de Carli, 63 obras foram produzidas por diversos artistas que participam do projeto. “Conseguimos conciliar a criatividade das crianças que estão em tratamento, por meio dos desenhos, com o trabalho de artistas renomados. Todo esse recurso é doado para o instituto”, afirma De Carli. A expectativa é superar R$ 1 mil em vendas.
Um dos artistas envolvidos na oficina é Ricardo Pirecco, que também desenvolveu uma obra para a exposição. Para ele, a arte funciona como instrumento para alcançar o objetivo de apoiar crianças que enfrentam o tratamento contra o câncer. “Ter feito a oficina com elas foi um grande aprendizado, muito mais para nós do que para elas. A gente aprende muito com elas”, relata. Ele conta que uma das coisas que mais o marcou foi ver as crianças sorrindo e brincando durante as atividades.
O lançamento também teve a participação de sua filha, Mallu Selbach Pires, de 11 anos, que criou seu primeiro trabalho para a exposição. “Eu achei legal porque foi minha primeira obra oficialmente, porque antes eu apenas fazia alguns desenhos. Eu me senti muito feliz por terem me convidado a participar”, disse.
O artista afirma que ficou feliz em ver a filha participando, mas ressalta que a decisão sobre seguir profissionalmente na área será dela. “Não sei se ela quer seguir esse caminho ou não. É uma decisão dela, mas ela demonstra muito interesse. Se ela está feliz, isso é o que mais importa”, completou Pirecco.
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