Saúde

Médicos devem suspender atendimentos eletivos no Hospital de Montenegro a partir de segunda-feira

A decisão foi definida pela categoria, na semana passada, em decorrência da falta de pagamento desde outubro; serão atendimentos somente casos de urgência e emergência

O Hospital de Montenegro, 100% SUS, é referência para 14 municípios
O Hospital de Montenegro, 100% SUS, é referência para 14 municípios Foto : Leandro Utzig / Prefeitura de Montenegro / CP

Procedimentos e atendimentos eletivos no Hospital de Montenegro devem ser suspensos de forma temporária a partir da próxima segunda-feira em decorrência da falta de pagamentos dos 35 médicos que atuam pelo contrato de regime de Pessoa Jurídica (PJ) que já somam quatro meses. Apenas casos de urgência e emergência serão atendidos no local e não serão admitidos novos pacientes, tendo esses que ser referenciados para hospitais de Porto Alegre, Região Metropolitana ou Vale do Sinos. A decisão foi definida pela categoria em assembleia coordenada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). A instituição de saúde é gerenciada pela Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE).

Como condição para a continuidade dos serviços, o Sindicato reivindicou que os pagamentos referentes aos meses de outubro e novembro fossem quitados, bem como fosse apresentado um cronograma para a regularização dos débitos de dezembro e janeiro. “Como não houve qualquer sinalização por parte do hospital, mesmo após novas tentativas de reuniões para negociar, não resta outra saída que não cumprir a decisão da assembleia de suspender os atendimentos de fichas verdes e azuis”, informou o diretor do Simers, Ricardo Pedrini Cruz. A estimativa é que a dívida com os profissionais gire em torno de R$ 2 milhões em atrasos.

Segundo ele, os médicos foram sensíveis à necessidade da população, mas a situação está insustentável. “Todas as entidades foram informadas a tempo de buscar alternativas para suprir o acolhimento da população ou de quitar a dívida com os médicos. Nada foi feito.” O Simers, por sua vez, reitera que segue à disposição para negociar com o hospital e com a Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE) e buscar soluções para o problema. O Hospital de Montenegro, 100% SUS, é referência para 14 municípios da região do Vale do Caí, entre os quais São Sebastião do Caí, Brochier e Triunfo, atendendo cerca de 170 mil habitantes, com 150 leitos.

A Prefeitura de Montenegro se manifestou destacando que "embora sempre ressalte que a gestão do Hospital Montenegro cabe exclusivamente à entidade mantenedora, a prefeitura de Montenegro vem participando de diversos encontros com outros municípios do Vale do Caí e Governo do RS, por meio da Secretaria Estadual da Saúde. A união destas entidades e a liberação de recursos pelo Governo do Estado é fundamental para melhorar a saúde financeira do hospital regional, que atende mais de 14 municípios. As propostas e discussões estão sendo intensificadas em busca de resoluções urgentes."

Em contato com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foi informado que o Estado contrata serviços do hospital e, por isso, é de responsabilidade do estabelecimento manter os atendimentos a pleno. A direção técnica da Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE), mantenedora da casa de saúde, foi procurada, mas não se manifestou sobre a situação.