Mais uma vez o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) cobra das autoridades responsáveis a implementação de medidas urgentes e efetivas para assegurar o pagamento dos honorários dos médicos prestadores de serviços nos três hospitais de Canoas. Nesta semana um documento foi encaminhado ao Conselho Regional de Medicina (Cremers) alertando sobre uma possível paralisação dos profissionais dos Hospitais Universitário e Nossa Senhora das Graças (HNSG), caso o atraso nos pagamentos e a falta de insumos básicos para o atendimento não sejam revertidos.
De acordo com o Sindicato, a decisão dos médicos do HNSG diz respeito à suspensão das consultas e procedimentos eletivos e dá prazo até esta sexta-feira (25) para a quitação referente ao mês de agosto e a 50% dos serviços prestados em julho. Se o pagamento não for realizado, uma assembleia geral extraordinária será convocada para deliberação da categoria. Já em relação ao Hospital Universitário, atualmente sob intervenção municipal, o Simers também enviou documento aos gestores com prazo de três dias para o retorno formal sobre a previsão de pagamento referente ao mês de agosto para os médicos prestadores de serviço
O coordenador do Sindicato da Região Metropolitana, Daniel Wolff, destaca a necessidade de ação rápida para resolver a situação caótica no município. “Precisamos garantir condições dignas de trabalho, segurança dos profissionais e a nossa preocupação com a iminente desassistência aos canoenses, que não é novidade. Infelizmente, esse cenário do HU, que também se repete no Hospital Nossa Senhora das Graças e no Hospital de Pronto-Socorro, parece naturalizado pela gestão municipal”, afirma.
A Secretaria Municipal de Saúde, juntamente com a direção dos hospitais Universitário, Nossa Senhora das Graças e de Pronto Socorro, reforça que não há motivos para paralisação dos serviços médicos nas instituições, pois esses pagamentos já estão previstos. Os três hospitais estão abastecidos de insumos e com consultas e procedimentos sendo realizados normalmente. Em relação ao pagamento dos colaboradores, todos os profissionais CLTs estão em dia, e os PJs terão 50% dos valores quitados ainda nesta semana, com o restante dos vencimentos a serem pagos até dia o dia 8 de novembro.
O cardiologista Carlos Humberto Cereser, que está temporariamente na direção geral do Hospital Universitário reforçou que não há falta de insumos na casa de saúde e disse ainda que a prioridade é o paciente. “Realizamos 300 partos por mês, 40% são prematuros, de alto risco. Além disso, hoje temos 500 pacientes internados e o hospital está funcionando a pleno, com todos os pacientes sendo muito bem atendidos, sem nenhuma reclamação. Os médicos CLT estão com os pagamentos rigorosamente em dia e os médicos que que trabalham em sistema de contrato, via CNPJ, tem o repasse de seus honorários feito após 60 dias da apresentação da nota fiscal. Nós estamos pagando hoje a nota fiscal relativa a agosto. Estamos em dia”, disse o cardiologista.