Um dos principais nomes da medicina gaúcha, Eduardo Sarmento Leite da Fonseca, foi homenageado na noite desta quarta-feira em cerimônia no Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM). Esculpida por André Arjonas, a máscara mortuária do professor foi doada pela família e passa a integrar o acervo permanente do museu.
Ao lado de Protásio Alves, o médico foi o fundador da terceira faculdade de medicina do país, hoje uma das instituições de maior prestígio na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UFRGS). A escultura foi doada à família do médico pelos alunos, integrantes do Centro Acadêmico Sarmento Leite, após a morte do médico e professor, em abril de 1935.
“Hoje é um momento muito especial em que a família decidiu doar essa peça para o nosso acervo. Eu considero a peça mais importante do museu porque essa máscara foi feita por um escultor espanhol muito importante que morava em Porto Alegre e fez muitas esculturas mortuárias. Então tem toda uma característica muito importante, além do legado do professor”, destaca a médica e presidente da Associação dos Amigos do Museu de História da Medicina, Leonor Baptista Schwartsmann.
GALERIA DE FOTOS: Máscara mortuária do médico e professor Eduardo Sarmento Leite da Fonseca
Para o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, o gesto da família é uma extensão dos princípios cultivados pelo médico, de abnegação em favor de um bem comum. “Essa decisão reflete o que o próprio Samento Leite fez: ele abriu mão de recursos próprios para construir uma instituição que formou médicos que mudaram a saúde do Rio Grande do Sul. E a família, de uma maneira muito peculiar, faz a mesma coisa doando a sua imagem para fazer história dentro do museu”, argumenta o presidente do sindicato.
Presente no evento, o doador da escultura, e neto do homenageado, Thiago Sarmento Leite, afirma que a doação parte da importância de preservar e divulgar o legado do avô. “É preciso que a memória das pessoas que contribuíram no sentido de bem comum, da ciência e da medicina, seja preservada, não por eles propriamente, mas por servirem de exemplo para as outras pessoas”, defende.
A peça passa a integrar o acervo permanente do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul e fica disponível para pesquisa e visitação histórica. A escultura foi confeccionada a partir de um molde realizado após a morte do médico e registra com precisão suas feições, além de representar um importante documento histórico e patrimonial para a medicina gaúcha.