Saúde

Número de biópsias cresce no RS e ultrapassa patamar pré-pandemia

As análises mais frequentes foram de tireoide, de pele e partes moles, de próstata, de nódulo de mama e de medula óssea

A biópsia também pode ser utilizada para a avaliação do tamanho e do estado das células de um determinado órgão
A biópsia também pode ser utilizada para a avaliação do tamanho e do estado das células de um determinado órgão Foto : National Cancer Institute / Unsplash / CP

De 2019 até 2023, o número de biópsias na rede pública de saúde gaúcha subiu de 48.930 para 61.939. Os dados são do Plano Estadual de Oncologia da Secretaria Estadual da Saúde do RS. O estudo leva em consideração para fins de comparação o ano anterior à pandemia (2019) e o segundo ano após a retomada (2023), o que corrobora com o aumento expressivo de realização do exame.

Conforme o trabalho, houve um crescimento superior a 25% e, segundo o cirurgião João Pedro Sanvitto, da Oncoclínicas em Porto Alegre, isso pode ser creditado principalmente à atuação de entes públicos e privados para aumento da oferta de exames para a população.

Recurso de rotina na oncologia, a biópsia é um procedimento que contribui não apenas para um diagnóstico assertivo, mas também para a escolha das estratégias mais adequadas de uma jornada de cuidados.

“É o exame padrão-ouro – considerado como referência – e informação fundamental para a definição de tratamento na grande maioria dos pacientes”, explica João Pedro Sanvitto.

Ainda de acordo com o trabalho da Secretaria de Saúde do RS, houve uma redução durante o período da pandemia, caindo de 48.930, em 2019, para 40.297 em 2020. No entanto, no ano seguinte, passou para 50.249 em 2021 até chegar a um total de 61.939 em 2023.

🩸 As análises mais frequentes em 2023 foram:

  • Tireoide
  • Pele e partes moles
  • Próstata
  • Nódulo de mama
  • Medula óssea

Em relação aos tumores de mama, os mais prevalentes na população feminina gaúcha, e de próstata, mais incidentes em homens, entre 2020 e 2023 foram realizadas 24.766 biópsias mamárias e 14.257 prostáticas.

Além dos casos de suspeita de câncer, o especialista afirma que a biópsia pode ser utilizada para a avaliação do tamanho e do estado das células de um determinado órgão em uma série de outras enfermidades que estejam sendo investigadas. “É importante revelar o tipo de célula que está acometida por doença ou não”.

A partir dessa identificação é possível, por exemplo, diagnosticar doenças autoimunes, musculares e de pele.

🔬Diferentes tipos

O especialista frisa que existem diferentes maneiras de realização de uma biópsia e nem sempre há necessidade de internação do paciente, podendo ser marcada em regime ambulatorial, dependendo de cada situação.

O procedimento pode ocorrer por via endoscópica, no caso de endoscopia digestiva alta (EDA) e colonoscopia para análise de esôfago, estômago e partes do intestino, ou fibrobroncoscopia para descobrir doenças do trato respiratório.

Também pode ser feito por meio de punção para coleta de amostras de tecido ou através de cirurgia, que será incisional, quando há a retirada de apenas uma parte da lesão, ou excisional, quando a remoção é total.