A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre o aumento das mortes relacionadas à malária no ano passado em todo o mundo, assim como sobre o número de casos, em um cenário de aumento da resistência aos medicamentos.
A malária continua sendo um grave problema de saúde global, com quase 282 milhões de casos e 610.000 mortes em todo o mundo registradas no ano passado, o que representa um leve aumento na comparação com 2023, informou a OMS em seu relatório anual sobre a doença transmitida por mosquitos.
Desafios e ameaças ao combate à doença
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu sobre os riscos atuais:
"O aumento do número de casos e mortes, a ameaça crescente da resistência aos medicamentos e o impacto dos cortes no financiamento podem comprometer os avanços alcançados nas últimas duas décadas."
Apesar do cenário, Tedros Adhanom Ghebreyesus mantém o otimismo: "Nenhum destes desafios, no entanto, é insuperável. Graças à liderança dos países mais afetados e aos investimentos específicos, a visão de um mundo sem malária continua sendo viável."
Os avanços na luta contra a doença permaneceram estagnados por vários anos, devido principalmente às mudanças climáticas, à multiplicação dos conflitos e à resistência aos medicamentos e inseticidas.
"A falta de financiamento para a luta contra a malária agrava os desafios, o que representa um risco evidente de ressurgimento em larga escala e fora de controle da doença", advertiu Daniel Ngamije, secretário para a luta contra a malária na OMS.
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Impacto na África e avanços na prevenção
A África permanece, de longe, como a região mais afetada, com 94% dos casos e 95% das mortes registradas em todo o planeta. A grande maioria (75%) das mortes na região corresponde a crianças com menos de 5 anos.
OMS destacou alguns avanços importantes na prevenção:
- Vacinas: Desde que a organização aprovou as primeiras vacinas contra a malária em 2021, 24 países incorporaram o medicamento ao calendário de vacinação.
- Quimioprevenção: Esta técnica, que consiste em usar medicamentos para prevenir a infecção durante o período de maior risco, é aplicada atualmente em 20 países e alcançou 54 milhões de crianças em 2024, contra quase 200.000 em 2012.