Com o objetivo de difundir o debate sobre a qualidade dos cursos de medicina no estado, o Conselho Regional de Medicina no Rio Grande do Sul (Cremers) promove nesta sexta-feira, 18 de outubro, Dia do Médico, às 14h, o painel Fala RS, na Rua Bernado Pires, 415, em Porto Alegre. O evento, realizado em parceria com o Correio do Povo, terá entrada aberta ao público e transmissão ao vivo no canal do Youtube do jornal. Contará também com a apresentação dos resultados de uma pesquisa inédita que ouviu a opinião dos gaúchos sobre a qualidade das formações médicas em diferentes municípios.
A pesquisa contratada pelo Cremers ouviu 200 entrevistados distribuídos pelas 14 cidades que sediam cursos de medicina no estado. Dentre os resultados, 93,6% dos respondentes afirmam preferir que os governos invistam na melhoria das escolas já existentes e não na abertura de novas faculdades em outras regiões e 89,2% priorizam a formação de qualidade em lugar do aumento na oferta de médicos. Segundo José Carlos Sauer, diretor do Instituto Methodus, empresa responsável pela pesquisa, o questionário foi aplicado via telefone por um call center especializado, que fez os contatos com base em listas de usuários de convênios de saúde.
“Entendeu-se que era necessário ouvir os usuários de convênios a fim de ouvir pessoas que tivessem uma menor crítica, tendo em vista que o sistema público é deficitário, o cidadão tem reclamações quanto à demora no atendimento, falta de exames, envolve uma estrutura muito grande. Como o objetivo do Cremers era entender sobre a formação, optou-se por falar com um grupo mais isento das dificuldades que o serviço público traz”, explica Sauer.
De acordo com o presidente do Cremers, Eduardo Trindade, o conselho tem observado um aumento expressivo no número de faculdades médicas que não atendem a critérios considerados básicos pela entidade. Os problemas vão desde a ausência de hospitais escola nos municípios sede das faculdades, até a falta de leitos públicos suficientes por aluno e o excesso de alunos por Equipe de Saúde da Família (ESF). “Das 390 escolas brasileiras, 288 estão em áreas que não têm infraestrutura. Qual é a leitura disso? 78% dos estudantes estão formando, provavelmente, médicos ruins”, afirma Trindade.
Segundo Trindade, a abertura indiscriminada de novos cursos e o aumento de vagas em faculdades já existentes é um movimento que atende a “interesses puramente econômicos”, comprometendo a qualidade das formações e, por consequência, a segurança dos pacientes. Para ele, o estado não precisa de novos cursos no interior. “A maioria dos alunos que se formam nas universidades do norte do estado acabam indo fazer residência no sudeste e não voltam para o norte. Então, essa tese de que ao abrir uma faculdade em local ermo as pessoas vão se vincular naquela região, não é verdade”, acrescenta.
Diante deste cenário, o Cremers pretende ampliar o debate no painel do dia 18 de outubro. “Temos que debater com a sociedade esse tema da formação médica, porque muitas vezes as pessoas confundem falta de estrutura em saúde com falta de médico. E tornar essa discussão de conhecimento público, perder essa ideia de que é uma defesa corporativista, de reserva de mercado. É uma busca da qualidade não só da formação médica quanto de saúde”, finaliza Trindade.