Saúde

Painel Fala RS promoverá debate sobre qualidade dos cursos de medicina no Estado

Pesquisa inédita contratada pelo Cremers ouviu pacientes de 14 cidades gaúchas

Segundo presidente do Cremers, Eduardo Trindade, o conselho tem observado um aumento expressivo no número de faculdades médicas que não atendem a critérios considerados básicos pela entidade.
Segundo presidente do Cremers, Eduardo Trindade, o conselho tem observado um aumento expressivo no número de faculdades médicas que não atendem a critérios considerados básicos pela entidade. Foto : Jennifer Morsch / Cremers / Divulgação / CP

Com o objetivo de difundir o debate sobre a qualidade dos cursos de medicina no estado, o Conselho Regional de Medicina no Rio Grande do Sul (Cremers) promove nesta sexta-feira, 18 de outubro, Dia do Médico, às 14h, o painel Fala RS, na Rua Bernado Pires, 415, em Porto Alegre. O evento, realizado em parceria com o Correio do Povo, terá entrada aberta ao público e transmissão ao vivo no canal do Youtube do jornal. Contará também com a apresentação dos resultados de uma pesquisa inédita que ouviu a opinião dos gaúchos sobre a qualidade das formações médicas em diferentes municípios.

A pesquisa contratada pelo Cremers ouviu 200 entrevistados distribuídos pelas 14 cidades que sediam cursos de medicina no estado. Dentre os resultados, 93,6% dos respondentes afirmam preferir que os governos invistam na melhoria das escolas já existentes e não na abertura de novas faculdades em outras regiões e 89,2% priorizam a formação de qualidade em lugar do aumento na oferta de médicos. Segundo José Carlos Sauer, diretor do Instituto Methodus, empresa responsável pela pesquisa, o questionário foi aplicado via telefone por um call center especializado, que fez os contatos com base em listas de usuários de convênios de saúde.

“Entendeu-se que era necessário ouvir os usuários de convênios a fim de ouvir pessoas que tivessem uma menor crítica, tendo em vista que o sistema público é deficitário, o cidadão tem reclamações quanto à demora no atendimento, falta de exames, envolve uma estrutura muito grande. Como o objetivo do Cremers era entender sobre a formação, optou-se por falar com um grupo mais isento das dificuldades que o serviço público traz”, explica Sauer.

De acordo com o presidente do Cremers, Eduardo Trindade, o conselho tem observado um aumento expressivo no número de faculdades médicas que não atendem a critérios considerados básicos pela entidade. Os problemas vão desde a ausência de hospitais escola nos municípios sede das faculdades, até a falta de leitos públicos suficientes por aluno e o excesso de alunos por Equipe de Saúde da Família (ESF). “Das 390 escolas brasileiras, 288 estão em áreas que não têm infraestrutura. Qual é a leitura disso? 78% dos estudantes estão formando, provavelmente, médicos ruins”, afirma Trindade.

Segundo Trindade, a abertura indiscriminada de novos cursos e o aumento de vagas em faculdades já existentes é um movimento que atende a “interesses puramente econômicos”, comprometendo a qualidade das formações e, por consequência, a segurança dos pacientes. Para ele, o estado não precisa de novos cursos no interior. “A maioria dos alunos que se formam nas universidades do norte do estado acabam indo fazer residência no sudeste e não voltam para o norte. Então, essa tese de que ao abrir uma faculdade em local ermo as pessoas vão se vincular naquela região, não é verdade”, acrescenta.

Diante deste cenário, o Cremers pretende ampliar o debate no painel do dia 18 de outubro. “Temos que debater com a sociedade esse tema da formação médica, porque muitas vezes as pessoas confundem falta de estrutura em saúde com falta de médico. E tornar essa discussão de conhecimento público, perder essa ideia de que é uma defesa corporativista, de reserva de mercado. É uma busca da qualidade não só da formação médica quanto de saúde”, finaliza Trindade.