Falta de insumos básicos, exames e de medicações necessárias para dar assistência digna aos pacientes internados colocam o Hospital de Alvorada, na Região Metropolitana, em condição de total precariedade. Tal situação foi confirmada por dirigentes do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), que realizou visita técnica na instituição e constatou as dificuldades enfrentadas pelos médicos e que colocam em risco a vida e a evolução de usuários que buscam atendimentos. O Simers anunciou que vai denunciar a situação ao Conselho Regional de Medicina (Cremers) e ao Ministério Público (MP).
A diretora do Sindicato Médico, Luciana Mesko, conversou com os profissionais que prestam serviço no plantão clínico adulto e infantil, bem como no obstétrico e na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal. Os relatos são de que médicos têm enfrentado diariamente a falta de material para entubação, sondas, soro, antibióticos entre outros insumos básicos para o exercício da profissão.
“A situação é calamitosa a ponto de os colegas não conseguirem um hemograma, que é o básico de um atendimento hospitalar. Ouvimos um relato de uma médica que precisou comprar medicação do próprio bolso e até mesmo folha de ofício para o registro das condutas. Temos que intervir, isso não pode continuar acontecendo. Vidas estão em risco e os médicos precisam de condições adequadas para o exercício de sua profissão”, pontua Luciana.
A massoterapeuta Thaís Rodrigues, que perdeu a mãe após dias de internação no local, conta que presenciou muitas condutas irregulares dentro do hospital. “Minha mãe morreu por negligência médica. Eles negligenciaram alimentação, que só foi prescrita após muitos dias de reclamação, e até água. Eu levava de casa os insumos que o hospital não tinha, como soro, esparadrapo, medicação e água. Comprava água para ela, para os outros pacientes e para os acompanhantes.” Thaís, inconformada com a situação, procurou o comitê de contratos do Conselho Estadual de Saúde onde denunciou a precariedade dos serviços prestados na instituição hospitalar.
Desde abril deste ano, a Associação Beneficente João Paulo II está à frente do Hospital de Alvorada. A mudança ocorreu após o rompimento do contrato com o Instituto de Cardiologia - Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC) pelo governo do estado. “O que vemos é a piora drástica da situação, a precarização da saúde, condições de trabalho inadequadas e médicos sobrecarregados. Uma nova gestão que deveria melhorar a assistência e que não está ocorrendo”, lamenta a diretora do Simers.
Em contato com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), a pasta informou que o serviço é fiscalizado através de visitas diárias feitas por servidores da SES.