Profissionais da saúde que foram desligados, ou que pediram desligamento do Hospital Universitário (HU), em Canoas, reclamam do não recebimento das verbas rescisórias. Além disso, na semana passada, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), denunciou que médicos que prestam serviços de saúde e assistência no mesmo hospital estavam com as remunerações em atraso e alertou sobre uma possível desassistência à população diante da falta de pagamento dos salários. Conforme o Sindicato, os atrasos têm sido uma constante.
A enfermeira Raíza Quadros da Silva, que atendia os pacientes da internação adulto, no sétimo andar, pediu desligamento da instituição de saúde em 26 de setembro, e reclama que até agora não recebeu nenhum centavo da rescisão. “Já se passaram 14 dias e nada. E este problema não acontece somente comigo. Tenho uma colega que saiu duas semanas antes e também não teve as verbas rescisórias pagas. Infelizmente o Hospital Universitário já é conhecido por esta prática. Não pagam FGTS e atrasam salários.” Segundo Raíza, ela esteve na tarde de quarta-feira no HU e foi impedida de entrar no setor de Departamento Pessoal.
“É um constrangimento. Só quero o pagamento a que tenho direito.” Outra profissional, que atuava como técnica de enfermagem, mas não quis se identificar por medo de represália, conta que deixou o HU há três meses e que ainda luta pelo recebimento de valores pendentes. “Esse é um dinheiro fruto do trabalho que desempenhei lá dentro. Fruto do acolhimento que fiz junto aos pacientes que precisaram naquele momento. É uma falta de respeito com o profissional da saúde. Uma situação lamentável.”
A Secretaria de Saúde de Canoas e Hospital Universitário informam que os salários de todos os profissionais CLTs estão em dia. Em relação aos PJs individuais, 50% dos pagamentos foram realizados quarta-feira (dia 2) e o restante está sendo pago na semana corrente. A SMS e a administração do hospital ainda reforçam que não há falta de insumos e nenhuma possibilidade de escassez. O HU está devidamente abastecido de todos os itens, inclusive auxiliando o Hospital de Pronto Socorro e o Hospital Nossa Senhora das Graças. Quanto às rescisões, estão atrasados os pagamentos a partir de julho deste ano, e já foi negociado com os funcionários que têm para receber. A exceção são alguns que não entraram em contato com o RH.