Saúde

Sarna humana: como identificar e tratar a doença que suspendeu aulas em escola de Atibaia

Escola de SP suspendeu aulas após 71 casos de escabiose

Escola de SP suspendeu aulas após 71 casos de escabiose
Escola de SP suspendeu aulas após 71 casos de escabiose Foto : Divulgação / Prefeitura de Poço de Caldas / CP

Uma escola municipal em Atibaia, no interior de São Paulo, suspendeu as aulas nesta sexta-feira, após registrar 71 casos de escabiose - conhecida como sarna humana - entre alunos e professores.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis e a transmissão ocorre pelo contato prolongado com pessoas ou roupas e outros objetos contaminados.

Por se espalhar facilmente pelo contato pele a pele, ela geralmente é registrada em casas, creches e escolas. "É uma doença comum, que pode atingir qualquer pessoa, e não tem relação com falta de higiene", afirma a dermatologista do Sírio-Libanês Marcela Cestari.

A médica explica que a escabiose ocorre quando o ácaro escava a camada mais superficial da pele para viver e pôr ovos. O principal sintoma é a coceira intensa, que piora à noite, com lesões parecidas com espinhas entre os dedos, nos punhos, nas axilas, na cintura, nos genitais e nas nádegas.

"O maior risco é a infecção bacteriana provocada pelo ato de coçar. Imunossuprimidos e idosos podem desenvolver a forma crostosa, que é mais grave e muito contagiosa", alerta Marcela.

Como é diagnosticada?

O diagnóstico é clínico, feito a partir do exame da pele e da história do paciente. "Uma pista importante é quando várias pessoas da mesma casa ou da mesma turma sentem coceira à noite", diz a dermatologista.

Coceira persistente ou contato com alguém diagnosticado merecem uma visita ao médico. A avaliação deve ser rápida se houver pus, febre e crostas amareladas ou grossas.

Também é necessário buscar atendimento o quanto antes quando as lesões acometem bebês. Nestes, particularmente, elas podem atingir também a cabeça, as palmas das mãos e as plantas dos pés.

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Tem como prevenir?

Segundo Marcela, a melhor forma de prevenir é diagnosticar e tratar a doença cedo. "Quando surge um caso, o paciente e todas as pessoas com quem ele tem contato próximo devem ser tratados no mesmo dia, mesmo que não tenham sintomas", explica. Isso porque a pessoa pode transmitir a doença antes mesmo de sentir coceira.

Como o contágio se dá por contato direto com pessoas ou objetos contaminados, Marcela também orienta que roupas, toalhas e lençóis usados nos três dias anteriores ao início do tratamento sejam lavados com água quente ou guardados em saco plástico por alguns dias - o ácaro sobrevive pouco tempo fora da pele.

Além disso, é importante afastar quem tem a doença de ambientes coletivos, como creches e empresas, até o início do tratamento. "Em geral, a criança pode voltar à escola logo após o início, desde que o tratamento tenha sido feito corretamente", comenta.

A suspensão das aulas em locais com casos confirmados pode ajudar a organizar a avaliação dos alunos e a orientação das famílias, mas, sozinha, a medida não controla o surto, já que a transmissão continua em casa, entre os contatos próximos. "O que interrompe a cadeia é encontrar e tratar todos os casos e contatos ao mesmo tempo", reforça a dermatologista.

Como a escabiose é tratada?

O tratamento requer avaliação médica e envolve o uso de medicamentos. De acordo com Marcela, as duas principais medicações são a permetrina, uma loção aplicada no corpo todo, do pescoço para baixo, e a ivermectina, por via oral. Esta, porém, não deve ser usada por gestantes ou crianças com menos de 15 kg.

O tratamento é feito em duas etapas. A primeira mata os ácaros, mas não elimina todos os ovos que já estão na pele e que eclodirão nos dias seguintes. Por isso, a aplicação é repetida após uma semana.

"A segunda aplicação elimina os ácaros que nasceram nesse intervalo antes que cresçam e voltem a se reproduzir. Se ela não for feita, a infestação pode recomeçar, e parecerá que o remédio não funcionou", explica a dermatologista.

Com o tratamento correto, a cura é a regra.

E se a coceira persistir?

A coceira pode persistir por algumas semanas após a cura por conta da sensibilidade ao ácaro. Mas, se ela durar mais de duas a quatro semanas ou se surgirem lesões novas, é preciso de uma nova avaliação médica.

"A aplicação errada, a falta da segunda aplicação, a dosagem errada e não tratar os contatos ao mesmo tempo estão entre as principais causas de falha do tratamento", reforça Marcela.