O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) emitiu um alerta epidemiológico devido à ocorrência de um surto de meningite em Pelotas, na região Sul do Estado. Conforme a pasta, a medida visa reforçar a atenção dos serviços de saúde e orientar a população sobre os sinais da doença e as ações de prevenção.
Foram confirmados em Pelotas este ano cinco casos da doença, sendo três pelo tipo, ou sorogrupo, Y (sem vínculo entre si) e dois pelo sorogrupo C da bactéria Neisseria meningitidis. Nenhum evoluiu para óbito. Já em Canguçu, município da mesma Coordenadoria Regional de Saúde, foram registrados dois casos adicionais, ambos pelo sorogrupo Y, incluindo um óbito de um homem de 38 anos.
Com sete casos confirmados na regional neste ano, o número já supera os registros de 2023 (dois casos) e 2024 (cinco casos). As notificações ocorreram entre maio e início de setembro e as idades variam dos 5 meses a 72 anos.
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A caracterização de surto comunitário em Pelotas do sorogrupo Y atende ao critério técnico de três ou mais casos, sem relação entre eles (diferentes cadeias de transmissão), em um intervalo de até três meses na mesma localidade. A confirmação é feita em conjunto pelo município, Estado e Ministério da Saúde, considerando também o contexto epidemiológico.
Outro surto de doença meningocócica foi identificado em setembro, no município de Bento Gonçalves, com três casos confirmados entre julho e agosto. Contudo, diferente do cenário registrado em Pelotas, os casos na cidade da Serra foram causados pelo sorogrupo B da bactéria, não possuindo vínculo com os casos de Pelotas ou com os de Canguçu.
Diante desse cenário, o Cevs orientou os serviços de saúde da região a manterem atenção redobrada para a identificação precoce de casos suspeitos. As principais medidas de resposta incluem:
- Detecção precoce dos casos;
- Manejo clínico adequado;
- Quimioprofilaxia para contatos próximos, preferencialmente nas primeiras 24 horas após a identificação do caso;
- Sintomas e orientação à população.
Entre as orientações para a população, é necessitadas buscar atendimento médico imediato ao surgimento de sintomas, especialmente se forem de início súbito. Os sinais incluem:
- Febre alta repentina
- Dor de cabeça intensa
- Rigidez na nuca
- Náuseas e vômitos persistentes
- Sensibilidade à luz
- Sonolência excessiva ou confusão mental
- Manchas vermelhas ou roxas na pele que não desaparecem ao serem pressionadas
- Convulsões
- Em crianças menores de dois anos: irritabilidade, choro persistente, sonolência ou abaulamento da moleira
Sinais de gravidade como dificuldade para respirar, palidez, extremidades frias e queda rápida do estado geral exigem atenção imediata. É recomendado levar a caderneta de vacinação ao serviço de saúde.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A doença meningocócica é prevenível por meio da vacinação, disponível gratuitamente no Calendário Nacional de Vacinação. Pelo SUS estão previstas vacinas para quatro tipos da bactéria, uma específica para o sorogrupo C e outra vacina que conjuga os tipos A, C, W e Y.
- 3 e 5 meses de idade: Vacina meningocócica C (1ª e 2ª doses)
- 12 meses de idade: Vacina meningocócica ACWY (reforço)
- Adolescentes de 11 a 14 anos: Vacina meningocócica ACWY (dose única)
- Sobre a doença
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, fungos, parasitas ou bactérias. A forma bacteriana é a mais grave, com risco de sequelas e óbitos.
A doença meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, pode se manifestar como meningite, meningococcemia (infecção do sangue) ou ambas. A transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias, como tosse, espirro ou beijo.
Os sorogrupos A, B, C, W, X e Y podem provocar quadros graves da doença e surtos. O período de incubação (entre o contágio e o aparecimento de sintomas) pode levar de dois a 10 dias (ocorrendo, em média, de três a quatro dias).