Um seminário nacional realizado nesta sexta-feira em Porto Alegre discute o ingresso nos currículos dos cursos de Medicina e Enfermagem, de disciplinas voltadas à cultura da doação e transplantes. Promovido pela Fundação Ecarta, com apoio do Coletivo de Ligas Acadêmicas de Transplantes do RS e do Ministério Público gaúcho (MPRS), o evento, com a participação de entidades estaduais e nacionais, ocorreu no Palácio do Ministério Público, em Porto Alegre.
O assunto, conforme os organizadores, iniciou no Rio Grande do Sul e ainda é pouco tratado nas grades curriculares, constando como disciplina, no Estado, apenas nos cursos de Medicina de quatro universidades, todas públicas: as federais de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pelotas (UFPel) e Rio Grande (Furg), contudo nenhum de Enfermagem. No país, são “poucas”, disse Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta e coordenador do Projeto Cultura Doadora, da mesma entidade, promotora do evento.
Porto Alegre sedia seminário nacional para debater inclusão da doação e transplantes nos currículos da saúde
“De modo geral, na grande maioria dos cursos de Medicina e Enfermagem não há currículo sobre isto, ou não são conteúdos abordados sistematicamente. Quando muito, há alguma referência, aula eventual a respeito, palestra, mas de modo geral não há esta abordagem”, salientou ele. As justificativas para esta inclusão, acrescentou Fuhr, são tanto criar uma cultura da importância própria da doação entre os estudantes e seus familiares, quanto promover talentos na área, já que a grande maioria dos atuais especialistas em doações e transplantes estão próximos de se aposentar.
“Na medida em que não há uma formação de profissionais para isto, nossa preocupação é que o sistema de transplante acabe se precarizando ainda mais. E é sempre bom lembrar que há quase 80 mil pessoas em fila de espera por um órgão no Brasil, apesar de o país ser um grande transplantador”. No Rio Grande do Sul, a fila tem cerca de três mil pessoas. No entanto, o diálogo tem sido positivo com as instituições, entidades de classe, como os conselhos estaduais de Medicina (Cremers), Enfermagem (Coren-RS) e inclusive o Ministério da Educação, que se mostraram sensíveis à ideia.