Saúde

Simers e Cremers protocolam ofício pedindo intervenção de governos na reabertura do HPSC

Reabertura parcial do hospital de Canoas, com atendimentos de baixa e média complexidade, consultas clínicas e procedimentos ambulatoriais, ocorre na segunda-feira

Durante a enchente de maio, a água chegou a dois metros de altura na instituição, comprometendo o primeiro pavimento
Durante a enchente de maio, a água chegou a dois metros de altura na instituição, comprometendo o primeiro pavimento Foto : Daiane Wolf / DW Comunicação / CP

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) e o Conselho Regional de Medicina (Cremers) estiveram na sede do governo gaúcho nesta semana e protocolaram ofício pedindo a intervenção dos gestores da saúde para garantir a reabertura integral do Hospital de Pronto-Socorro de Canoas (HPSC). O documento foi assinado por diferentes entidades e entregue no gabinete da Casa Civil. O mesmo texto foi encaminhado ao governo federal, por meio da Secretaria para Apoio à Reconstrução do RS e do Ministério da Saúde, à Secretaria Estadual da Saúde e à Secretaria de Saúde de Canoas.

O diretor do Simers, Daniel Wolff, explica que ainda faltam informações sobre como vai ser feita a reabertura do HPSC, anunciada para a próxima segunda-feira, de forma parcial, com consultas clínicas e procedimentos ambulatoriais. "O hospital é uma referência para o atendimento de traumas para mais de 100 municípios e foi planejado para garantir uma agilidade que é vital, como é o caso dos acidentes de trânsito. Por isso, sua reabertura em toda a sua complexidade é essencial para mais de três milhões de pessoas. Um hospital deste porte não pode funcionar como uma grande Unidade de Pronto Atendimento", destaca Wolff.

O Hospital de Pronto Socorro foi inundado durante a enchente que atingiu Canoas, em maio deste ano, quando mais da metade da cidade foi afetada pelas cheias. A água chegou a dois metros de altura na instituição, comprometendo todo o primeiro pavimento, resultando em perdas que ultrapassam os R$ 37 milhões. Ao todo, cerca de 400 pessoas foram resgatadas de barco e helicóptero de dentro da casa de saúde.

Em agosto, o Sindicato Médico mobilizou diferentes entidades da saúde e segmentos da sociedade para a urgente necessidade de reabertura do HPSC, promovendo um grande abraço "simbólico" ao hospital. A é referência e atende cerca de 4,2 mil pacientes por mês, cujo fechamento sobrecarrega outros hospitais sem o mesmo fim e a mesma estrutura de pronto-socorro para garantir o acesso rápido a cuidados de emergência.

A Prefeitura de Canoas informou que o retorno dos atendimentos no HPSC vai acontecer com abertura de três consultórios médicos, sala de estabilização, 12 leitos de observação e 34 leitos de internação, além de laboratório e raio x. Esclareceu ainda que a retomada dos serviços de forma progressiva é fundamental para a reconstrução da saúde em Canoas. Neste primeiro momento, serão realizados atendimentos de baixa e média complexidade. Pacientes com maior grau de risco serão transferidos para o Hospital Universitário ou o Hospital Nossa Senhora das Graças.

O secretário da Saúde do município, Mauro Sparta, reforça o compromisso da Prefeitura em dar celeridade nas obras de recuperação do hospital. "Estamos tomando todas as medidas necessárias para entregar o HPSC à população. Somente com o governo federal, já garantimos mais de R$ 50 milhões para a instituição, que é referência para cerca de 100 municípios gaúchos. Acreditamos que com o esforço conjunto dos entes públicos e privados, em dezembro o hospital estará funcionando a pleno. Por isso, primamos pela transparência das informações sobre o andamento das reformas", destaca Sparta.

Para o atendimento pleno, previsto para 17 de dezembro, será feita a recuperação de todo o bloco cirúrgico, da UTI e dos demais equipamentos hospitalares, como tomógrafos e ecografia. Para reforçar a rede de urgência e emergência, a UPA Rio Branco retorna os atendimentos plenos no dia 30 de setembro, a UPA Caçapava dia 10 de outubro e a UPA do Idoso dia 15 de outubro.

Estado foi fundamental na viabilização de portarias federais e destinação de recursos

A Casa Civil esclarece que recebeu o ofício das entidades médicas e informa que o governo do RS tem atuado ativamente, em conjunto com o Ministério da Saúde, para viabilizar a pronta reabertura e pleno funcionamento do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC). Informou ainda que a participação do Estado foi fundamental na viabilização de portarias federais que destinam recursos e ações para a recuperação da infraestrutura e oferta de serviços de saúde em Canoas, como os já disponibilizados ao Fundo Municipal de Saúde.

Segundo o governo do estado, essas medidas, em conjunto com outras ações do governo estadual, contribuem significativamente para a recuperação da saúde em Canoas e para o atendimento adequado à população afetada pelas cheias. O governo do RS ressalta o compromisso da Secretaria da Saúde (SES) em garantir a assistência médica necessária a todos os gaúchos e em trabalhar em parceria com os municípios para superar os desafios impostos pelos eventos climáticos. Como informado à SES, o HPSC tem previsão de reabertura gradual, iniciando pelo pronto atendimento e na sequência as demais áreas.