O Boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado nesta quinta-feira (16/4) alerta para o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos em quatro das cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste). A análise aponta que o crescimento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal fator de elevação dos casos nessa faixa etária. A atualização também indicou que os casos graves por Covid-19 seguem em baixa no Brasil.
O levantamento é referente à Semana Epidemiológica (SE 14), período de 5 a 11 de abril. O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país.
Cenário nacional
No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam estabilidade nas tendências de curto e longo prazo. Em relação aos estados, o novo Boletim aponta que 14 das 27 UFs continuam com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 14, localizadas nas regiões Norte (Acre, Pará e Tocantins), Nordeste (Maranhão, Piaui, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro).
Sobre o VSR, o quadro de crescimento foi constado em todo o Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), além de em muitos estados do Norte (Acre, Pará, Tocantins e Roraima) e Nordeste (Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia).
Com relação a influenza A, a nova edição do Boletim mostra que as ocorrências continuam aumentando em boa parte da região Centro-Sul (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de em algumas regiões do Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Por outro lado, o estudo sinaliza que os casos de SRAG associados à influenza A se mantêm em queda em muitos estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco), além do Pará e do Rio de Janeiro.
Já os casos de SRAG associados ao rinovírus apresentam sinal de interrupção do crescimento ou queda na maior parte do país. No entanto, continuam aumentando no Pará e Mato Grosso.
Sobre as capitais, quatorze das 27 apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 14: Rio Branco (Acre), Belém (Pará), Palmas (Tocantins), Cuiabá (Mato Grosso do Sul), Campo Grande (Mato Grosso), São Luís (Maranhão), Teresina (Piauí), João Pessoa (Paraíba), Recife (Pernambuco), Aracaju (Sergipe), Maceió (Alagoas), Belo Horizonte (Minas Gerais), Vitória (Espírito Santo) e Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).
Incidência e mortalidade
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A e Covid-19.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem impactado mais crianças de até quatro anos e idosos, enquanto a mortalidade continua apresentando maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.
*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias