Saúde

Summit Talks destacou usos da IA e protagonismo do médico

Evento promovido pelo Correio do Povo na Feevale reuniu quase 200 pessoas

Evento foi realizado no Campus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo
Evento foi realizado no Campus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo Foto : Mauro Schaefer

A inteligência artificial já vem sendo utilizada em larga escala na medicina, seja para reduzir tarefas administrativas, auxiliar no diagnóstico, diminuir custos ou prever e simular situações clínicas. Para utilizar a ferramenta da melhor forma, é necessária uma formação continuada, que estimule o pensamento crítico e valorize o papel central do médico e do atendimento humanizado. O uso da IA, no entanto, não retira a responsabilidade civil do médico, que segue responsável por validar as decisões.

Todos esses assuntos foram temas do Summit Talks: IA na Medicina, evento promovido pelo Correio do Povo nesta quarta-feira, no Campus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo. O evento reuniu quase 200 pessoas, que acompanharam três painéis com médicos, professores e advogados sobre os impactos da inteligência artificial na prática médica.

No primeiro painel, “Devolvendo o Médico ao Paciente: Como a IA Pode Eliminar a Fricção da Saúde”, o médico do trabalho e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Thiago Dal Bosco, apresentou estudos que indicam que o médico dedica exclusivamente à atenção do paciente apenas 27% do seu tempo, enquanto 47,2% são destinados a trabalhos administrativos e de documentação. Ou seja, menos de um terço do tempo é dedicado diretamente ao paciente.

“A IA não faz medicina, mas potencializa a medicina. Acho que todo mundo pode estar preparado para usar a IA, com critério, ética e evidência”, destacou Dal Bosco. Segundo ele, as ferramentas colaboram para que o médico passe mais tempo com o paciente e, também, proporcionam mais segurança ao atendimento, com maior qualidade na tomada de decisões e menor carga administrativa.

Também participaram do painel o conselheiro do Cremers e consultor de IA na medicina Vinicius Lain e o gerente de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Vento, Felipe Cabral. A mediação foi do vice-presidente do Cremers, Eduardo Trindade.

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No painel sobre a formação médica na era digital, o coordenador do curso de Medicina da Feevale, Leandro Orlandini, destacou que a IA possibilita a formulação de questões, a simulação de casos clínicos e a personalização da formação dos alunos, entre outras utilidades. No entanto, o protagonismo do médico deve ser preservado.

“A gente precisa manter os pés no chão com tanta coisa nova que vem acontecendo. Precisamos manter a humanidade, o atendimento correto, o olho no olho”, disse Orlandini. O coordenador médico de Governança Clínica, Ensino e Pesquisa da Unimed Vale do Sinos, Damásio Macedo Trindade, também participou do painel, mediado pelo professor da Feevale Claudio Kolling.

No terceiro e último painel, intitulado “Bioética, Responsabilidade Civil e Regulação da IA Médica”, os participantes abordaram a Resolução 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que entra em vigor em 26 de agosto e regulamenta o uso da inteligência artificial na medicina brasileira.

O médico e advogado André Stüker afirmou que a normativa não deverá trazer grandes mudanças na rotina dos médicos, mas reforçará a transparência na relação médico-paciente e dará mais segurança ao consentimento do paciente.

“Não modifica nada do que já se tem de responsabilidade. Não altera o Código de Ética, não altera a regulação da telemedicina, não altera como a gente é responsável de acordo com o Código Civil, a responsabilidade penal. Ela tem um caráter regulatório”, afirmou.

A resolução deverá repercutir na responsabilidade dos profissionais e nos atendimentos, desde hospitais até clínicas, principalmente na necessidade de informar ao paciente que a tecnologia está sendo utilizada no atendimento, qual ferramenta está sendo empregada e qual é o seu nível de atualização.

Também participaram do painel o advogado Maurício Brum Esteves e o conselheiro do Cremers Vinicius Lain. A mediação foi do vice-presidente do Conselho de Administração da Unicred Eleva, Paulo Rech.

O Summit Talks: IA na Medicina foi uma realização do Correio do Povo, Universidade Feevale e Cremers, com patrocínio da Unimed Vale dos Sinos e da Unicred.