O projeto ClimaRes WaSH (CW), do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), encontrou a superbactéria Acinetobacter baumannii em quatro pontos do Guaíba. Apesar da preocupação com bactéria, que determinou o fechamento da UTI do Fêmina, após a morte de um bebê prematuro, os integrantes do ClimaRes Wash destacam que as 17 análises realizadas em Porto Alegre foram coletadas em ambiente aquático natural, não na água tratada e distribuída pelo Dmae na Capital.
A função do projeto é atuar no fortalecimento da resiliência climática em água, saneamento e saúde, integrando monitoramento ambiental, avaliação da qualidade da água, análise de riscos e produção de evidências para apoiar a tomada de decisão. Nesse contexto, durante análises microbiológicas de amostras de água coletadas em 17 pontos de Porto Alegre, foi identificada a presença de Acinetobacter baumannii em quatro locais: praia do Lami, praia de Ipanema, Guaíba próximo à foz do arroio Dilúvio e Guaíba próximo à EBAP Menino Deus.
De acordo com o ClimaRes Wash, Acinetobacter baumannii é uma bactéria de grande relevância clínica e ambiental, especialmente quando associada a perfis de resistência a antimicrobianos. No ponto próximo à EBAP Menino Deus, foi identificado um isolado multirresistente, com resistência a todos os antimicrobianos testados no painel avaliado.
Será realizado o sequenciamento genômico do isolado para investigar os genes de resistência antimicrobiana e avaliar sua possível relação com cepas clínicas, incluindo aquelas associadas ao surto de Acinetobacter baumannii ocorrido em abril de 2026 na UTI Neonatal do Hospital Fêmina, que resultou na morte de um bebê prematuro.
"Este achado reforça que a vigilância ambiental é uma ferramenta essencial para a saúde pública. Mais do que identificar a presença de bactérias resistentes em ambientes aquáticos urbanos, é necessário compreender suas fontes, acompanhar sua disseminação e avançar em estratégias de saneamento, desinfecção e tratamento capazes de reduzir bactérias resistentes e genes de resistência antimicrobiana", diz a nota do CW.
Achado não indica problema de potabilidade
O projeto ClimaRes Wash divulgou em suas redes sociais que as amostras analisadas no estudo foram coletadas em ambientes aquáticos naturais, e não a água tratada distribuída à população, que deve atender aos padrões de potabilidade definidos pelo Ministério da Saúde e cumpridos pelo Dmae.
"Portanto, este achado não indica problema de potabilidade da água da rede pública. A qualidade da água para consumo humano segue monitoramento próprio, com padrões definidos pela legislação e pelos órgãos responsáveis", informou o CW. "O projeto ClimaRes WaSH segue comprometido com a produção de conhecimento científico, o monitoramento ambiental e a investigação de soluções para os desafios relacionados à água, saneamento, saúde e mudanças climáticas", concluiu o informativo.
Recomendações
De acordo com o CW, as principais precauções em relação a bactéria são as mesmas recomendadas para contato com águas naturais urbanas: não ingerir a água, evitar contato se houver feridas abertas ou imunidade comprometida, higienizar-se após a exposição e o mais importante, acompanhar e seguir os boletins oficiais de balneabilidade.
Dmae
O Dmae destacou em nota que as amostras colhidas pelo projeto foram em ambientes naturais, sem passar pelo rigoroso tratamento e controle de qualidade do departamento. Confira a nota na íntegra:
“O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) reitera que a água de Porto Alegre é submetida a rigorosos processos de tratamento e controle de qualidade antes de ser distribuída à população. Informações coletadas em ambientes naturais, portanto, não podem ser relacionadas ao produto que chega às torneiras.
O Dmae realiza, diariamente, mais de 2,4 mil análises da água na Capital. Amostras são recolhidas no manancial, onde a água bruta é captada; em todas as etapas do processo de tratamento; e em centenas de pontos estratégicos do sistema de distribuição. Com isso, o Departamento garante a qualidade, segurança e potabilidade de todo o volume de água tratado em Porto Alegre.
A rotina de captação, tratamento e distribuição da água, realizada pelo Departamento, segue os padrões da Portaria nº 888/2021, do Ministério da Saúde, com fiscalização da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os relatórios mensais de qualidade da água são públicos e estão disponíveis no site do Dmae .
Outras informações podem ser consultadas no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, do Ministério da Saúde”.