O Rio Grande do Sul apresenta estatísticas preocupantes sobre a dengue. Até esta quarta-feira, o território gaúcho soma 26.491 casos e 35 óbitos pela doença este ano, conforme o Painel de Casos de Dengue RS. Com a transmissão da complicação, surge a discussão sobre as formas de combater o Aedes aegypti, e um método utilizando tecnologia natural tem ajudado na luta contra o mosquito.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Método Wolbachia tem sido expandido recentemente em Santa Catarina, nos municípios de Balneário Camboriú e Blumenau. Conheça mais sobre a tecnologia abaixo:
Como funciona
Conforme o Ministério da Saúde, a Wolbachia é uma bactéria presente em cerca de 60% dos insetos, inclusive em alguns mosquitos. No entanto, não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, a bactéria impede que os vírus da dengue, Zika, Chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro dele, contribuindo para redução das doenças.
O método funciona assim: mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia são liberados para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais estabelecendo, aos poucos, uma nova população dos mosquitos, todos com Wolbachia.
Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam a Wolbachia aumenta, até que permaneça estável, sem a necessidade de novas liberações. Este efeito torna o método autossustentável e uma intervenção acessível a longo prazo.
Os Wolbitos, como são chamados, não são transgênicos, ou seja, não há qualquer modificação genética no método, e também não transmitem doenças. A wolbachia não pode ser transmitida para humanos ou outros mamíferos.
Tecnologia é respaldada
A tecnologia do Método Wolbachia é respaldada por estudos científicos nacionais e internacionais, e já foi implementada com sucesso em diversas cidades do Brasil e do mundo, sempre com reduções expressivas nos casos de arboviroses. Em Niterói, no Rio de Janeiro, por exemplo, os mais recentes dados preliminares apontam redução de 88,8% nos casos de dengue.
O método é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e passou a fazer parte das políticas públicas de saúde do Brasil. É uma ação complementar a outras de enfrentamento à dengue. E a população continuará tendo papel fundamental no processo, devendo manter os cuidados tradicionais contra o Aedes aegypti e colaborando com os agentes da iniciativa.
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Wolbito do Brasil
A Wolbito do Brasil é a maior biofábrica de Wolbitos (Aedes aegypti com Wolbachia) do mundo e tem como missão ajudar a proteger a população de doenças como dengue, zika e chikungunya. Atua com o Método Wolbachia, presente em diversos países, iniciado no Brasil pelo World Mosquito Program (WMP) em 2014.
A empresa é um desdobramento estratégico do WMP, em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), para consolidar e expandir a implementação do Método Wolbachia no país, garantindo sua sustentabilidade e impacto em larga escala.