A situação em Eldorado do Sul, na região Metropolitana, se agravou na manhã desta sexta-feira com a alta no rio Jacuí e no Guaíba, fazendo com que sete pessoas precisassem sair de casa, das quais seis permanecem no abrigo municipal, de acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, Mário Rocha. A água de banhados próximos, que já ao longo da quinta-feira ingressado em partes da rua Z, bairro Cidade Verde, avançou até a avenida Lucas Espíndola e vias próximas, além de partes do bairro Picada, como a rua Martinho Poeta.
Isto forçou pessoas a utilizarem pallets para acessarem estabelecimentos, alguns distribuídos pela Prefeitura em caminhões, além de trafegar em algumas delas usando stand-up paddles e até tratores. “Começamos nossa mobilização e ações preventivas no dia 22, e no dia 24, já tivemos o início de uma pequena inundação. Mas a prevenção não parou, e seguimos com ações de resposta, removendo pessoas, levantando móveis destes bairros, e agora os níveis atingiram cotas maiores”, afirmou Rocha.
Segundo ele, agora a Defesa Civil Municipal monitora a velocidade de expansão da água no município, que vem diminuindo nas últimas horas. No entanto, o rio Jacuí seguia acima da cota de inundação na Picada, com 3,23 metros, e no Assentamento Irga, com 3,90 metros, enquanto o Guaíba estava abaixo da inundação na Prainha do Itaí, com 1,10 metro, e no balneário Sans Souci, com a marca de 1,37 metro, todos às 13 horas. “Acreditamos que o sistema de galerias na Picada ofertou mais vazão de água para o Delta do Jacuí.
Rio Jacuí alaga ruas de Eldorado do Sul
Em outros momentos, considerando o que choveu agora, teríamos um impacto bem maior dentro da cidade”, salientou o coordenador. No entanto, nem todos os moradores disseram que a situação esteja sob controle. Pessoa com deficiência e usuária de cadeira de rodas, Fernanda Souza da Silva estava com a família de saída do Cidade Verde na manhã desta sexta, em uma rua repleta de água.
“Está horrível, e minha dificuldade é muito maior. Nunca nos acostumamos direito”, comentou ela, que estava indo com os familiares para a casa próxima do filho. Luiz Fernando Marques, também morador do local, estava empurrando um veículo para fora da área de inundação, e comentou que mora com a mãe, que tem 72 anos, mas tem vontade de sair do Cidade Verde.
“Pego enchente desde os cinco anos de idade. Não tenho como gostar de estar aqui. Gosto da casa, é verdade, outra coisa é sair e (o lugar) não mudar nunca. Pintei o muro recentemente, e a água sujou tudo. É um lugar que não adianta você progredir, que aí vem a água e tira sua paz. Eu fui dormir às 4h monitorando a água e aí consegui pegar no sono”, desabafou.