Afastado das funções depois de aparecer bebendo e fumando em sessão virtual, o juiz Milton Lívio Lemos Salles apresenta um histórico de polêmicas. Segundo informações do portal R7, o magistrado já foi investigado como suspeito de ameaçar uma desembargadora e tem uma medida protetiva ativa solicitada pela ex-esposa.
Milton Lívio foi afastado das atividades de juiz segundo decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio de determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na tarde dessa terça-feira (11).
No vídeo, o juiz aparece de short, consumindo uma garrafa similar a vinho e fumando durante uma sessão do Tribunal, enquanto outras pessoas discutiam o tema da reunião.
Entre as medidas adotadas pelo TJMG, após o ocorrido, estão a suspensão imediata dos acessos do magistrado aos sistemas judiciais e administrativos, proibição de entrada em fóruns, prédios e demais instalações do Tribunal, impedimento de utilizar veículos oficias do TJ e suspensão do direito ao porte e registro de arma de fogo. A sessão foi conduzida pelo presidente do Judiciário, o desembargador Vicente de Oliveira Silva.
- Desembargador abandona ações da Lava Jato após punição do CNJ
- “Não basta o juiz ser correto, tem que aparentar ser”, diz desembargador do TJRS
Desembargadora ameaçada
Milton foi alvo de uma investigação administrativa no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) após um episódio envolvendo uma magistrada. Em 2020, quando atuava na 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte, ele teria ido à noite até o prédio onde morava a desembargadora Márcia Milanez para questionar pessoalmente a nota que havia recebido em um processo de promoção por merecimento para o cargo de desembargador.
Testemunhas ouvidas na sindicância relataram que o juiz estaria alterado na ocasião. O porteiro do prédio afirmou que ele chegou segurando uma lata de cerveja, com fala desconexa. Um outro desembargador afirmou ter ouvido do magistrado, durante uma ligação telefônica, que ele entraria no prédio “na marra” e que mataria a desembargadora e depois cometeria suicídio. Outros depoimentos, entretanto, não confirmaram que o juiz estivesse armado quando esteve no local.
Medida protetiva
Segundo a Polícia Civil, em abril deste ano uma ex-esposa de Milton compareceu à Casa da Mulher Mineira, no Centro de Belo Horizonte, informando fatos que teriam ocorrido entre os dois e solicitando uma medida protetiva. A PC confirma que formalizou o pedido da vítima com urgência.
Em nota, o TJMG confirmou a existência de medida protetiva da mulher contra Milton Lívio Lemos Salles. Mas, por se tratar de um processo desse tipo, o caso tramita em segredo de justiça e não foram divulgadas mais informações ou detalhes do que teria motivado o pedido da vítima.