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Aos 76 anos, mulher troca Florianópolis por um mês como caseira de piquete no Acampamento Farroupilha

Ligada ao Piquete Marco Antônio Mezenga desde a fundação, ela cuida do galpão, recebe visitantes e prepara as refeições durante os eventos

Mara Regina da Silva é caseira do Piquete Marco Antônio Mezenga, que tem o filho Luciano Negreiros como patrão
Mara Regina da Silva é caseira do Piquete Marco Antônio Mezenga, que tem o filho Luciano Negreiros como patrão Foto : Fabiano do Amaral

Aos 76 anos, Mara Regina da Silva troca quase dois meses da rotina de Florianópolis pelos dias vividos dentro de um galpão no Parque Harmonia, em Porto Alegre. Durante o Acampamento Farroupilha, ela é a responsável por cuidar do piquete Marco Antônio Mezenga, onde passa cerca de dois meses como caseira.

Sozinha em boa parte do tempo, mantém o espaço organizado, prepara as refeições, recebe os visitantes e acompanha a movimentação que começa pela manhã e pode seguir até a madrugada.

A relação de Mara com o piquete começou há quase três décadas. Ela participa da história do espaço desde a fundação, há 27 anos, e conta que já chegou a dormir embaixo das telhas para cuidar dos materiais durante a construção.

A cada ano, a função de caseira passou a fazer parte da sua rotina durante o mês de setembro. “Desde que começaram a montar o galpão, eu estou participando. Eu sou aquela pessoa que faz tudo. Estou aqui para receber, para cozinhar ou para limpar. Estou sempre pronta para tudo”, conta.

Moradora de Florianópolis há 14 anos, Mara mantém durante o restante do ano o vínculo com o tradicionalismo por meio de um CTG, onde também participa da patronagem. Quando chega o período do Acampamento, porém, ela deixa a cidade catarinense e retorna à Capital gaúcha para viver a rotina do piquete.

Para ela, os dias no galpão compensam o cansaço provocado pela poeira, pela fumaça, pela chuva e pelo movimento durante a noite. “É a coisa melhor que eu sinto. Adoro ficar no galpão. É meio cansativo por causa do som, da fumaça, da poeira, da chuva, de tudo. Mas compensa muito porque as pessoas são muito boas para vir conversar e a gente recebe bem”, afirma.

A rotina começa com a organização do espaço e passa necessariamente pela cozinha. Mara prepara as refeições para os integrantes do piquete e também cozinha quando grupos de visitantes utilizam o local. Entre os pratos que fazem parte do cardápio estão carreteiro com feijão mexido, churrasco, arroz, maionese e saladas. Para os próximos dias, ela ainda planeja preparar uma vaca atolada.

O tradicional bolinho de chuva também está entre as receitas que costuma fazer para receber visitantes ao longo dos dias, sempre acompanhado de um chimarrão. O trabalho não tem horário fixo e depende da rotina do próprio Acampamento. Quando levanta, começa a limpar o galpão e organizar o espaço para aqueles que vão chegar.

A presença de Mara é parte de uma história que começou com o filho, Luciano Negreiros, 52 anos, atual patrão do piquete. Ele estava entre os amigos que decidiram criar o espaço, em 1999. O nome é uma homenagem a Marco Antônio Silva Santos, conhecido como Mezenga, um dos integrantes do grupo que morreu em uma cavalgada no mesmo ano da fundação.

Luciano também passa boa parte do período no Parque Harmonia. Neste ano, chegou em 8 de agosto para a montagem e deve permanecer até aproximadamente 22 de setembro, quando começa a desmontagem. Assim como a mãe, transforma o período dos festejos em uma temporada de convivência no galpão.

Mas é Mara quem permanece no espaço diariamente, cuidando de uma estrutura que, para ela, deixou de ser apenas um local de passagem. “Eu passo o ano todo esperando pelo momento de vir a Porto Alegre para o Acampamento, Enquanto Deus me der saúde, eu quero participar disso. É uma das coisas que eu gosto demais”, afirma.

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