Após o recuo da água que alagou diversas residências da Vila Sapo, no bairro Serrano, em Caxias do Sul, moraldrs passaram a tarde de segunda-feira retirando móveis, objetos e outros materiais das casas atingidas pelo alagamento. Em alguns imóveis, o nível da água chegou a mais de um metro.
Entre os moradores que começaram a enfrentar a limpeza está a técnica de enfermagem Rosângela Mariano, 40 anos. Ela vive na localidade há 35 anos e afirma que já havia visto a água chegar à entrada da residência, mas nunca tinha enfrentado um alagamento dentro de casa.
A água começou a entrar por volta das 7h, enquanto Rosângela estava trabalhando. Quando saiu de casa, por volta das 5h, chovia, mas, segundo ela, ainda não havia sinais da dimensão que o temporal alcançaria.
Como trabalha em uma clínica e não pode utilizar o celular durante o expediente, só soube da situação quando deixou o trabalho e verificou o telefone. Havia centenas de mensagens.
“Eu estou até desanimada do jeito que ficou. É uma coisa que eu não imaginava, nunca aconteceu”, contou.
A água passou de um metro dentro da casa, principalmente no banheiro, que fica em uma área mais baixa. Ao menos a cama e uma mesa foram danificadas, mas os danos ainda eram contabilizados por ela. Rosângela diz que ainda não conseguiu começar a limpeza.
A situação também surpreendeu o pintor Alex da Silva, 40 anos. Na casa dele, a água chegou a cerca de 50 centímetros. Quando percebeu que o nível começava a subir, ele e os familiares correram para retirar os veículos. “Quando comecei, a gente correu para tirar o carro e a moto. Quando voltei, já estava na porta de casa”, relatou.
Por volta das 11h, a água começou a baixar. Silva conseguiu retornar à residência e iniciou a avaliação dos prejuízos. Segundo ele, o motor do portão foi danificado, mas móveis e eletrodomésticos ficam no segundo andar da casa e não foram afetados. “Foi muita água. Nunca alagou desse jeito”, afirmou.
Com a limpeza, moradores passaram a colocar móveis e outros materiais danificados às margens de um arroio. Silva pediu que a Prefeitura envie caminhões para fazer a retirada. Segundo ele, caso o nível da água volte a subir, os objetos podem ser carregados pela correnteza e provocar novas obstruções.
Na mesma região, Aloísio de Jesus, 57 anos, passou a tarde ajudando a limpar a casa da mãe, de 87 anos. Ela havia completado aniversário no sábado e precisou deixar a residência por volta das 11h30min, quando a água já chegava à altura da cintura.
A idosa foi retirada de bote e levada para um local seguro. Ela mora na casa há cerca de 30 anos e, segundo o filho, nunca havia enfrentado uma situação semelhante.
Agora, Aloísio e a esposa tentam verificar o que ainda pode ser aproveitado. “Aqui molhou bastante. Estamos vendo o que dá para aproveitar, mas a água danificou muitas coisas”, disse.
Até a metade da tarde, a família conta não havia recebido suporte.
Chuva supera média mensal
A chuva intensa começou durante a madrugada em Caxias do Sul. Segundo a Prefeitura, cerca de 130 milímetros foram registrados até as 9h desta segunda-feira. A média para todo o mês de setembro é de 181,7 milímetros.
Mais de 100 redes de drenagem foram afetadas. Entre os pontos considerados prioritários pelo município está a própria Vila Sapo, onde famílias foram retiradas das áreas atingidas.
Também foram registrados problemas no Fátima Baixo, onde houve transbordamento de um piscinão, e nas regiões dos bairros São José, Santa Catarina e Reolon.
As equipes da Defesa Civil, do Samae, da Secretaria de Obras e de outros órgãos municipais permanecem mobilizadas para atender as áreas afetadas, desobstruir pontos atingidos e dar suporte às famílias.