Débora Linhares da Silva, dona de casa, vive há mais de 40 anos na região conhecida como Centro Velho, uma das áreas mais baixas de Lajeado, no Vale do Taquari, ou seja, passou por inúmeras situações de cheia. Ela é uma das moradores desalojadas após a inundação mais recente, que atingiu parte do município a partir da madrugada desta quarta-feira. Ela foi encaminhada ao Parque do Imigrante, assim como outras 145 pessoas, ou 50 famílias, até o momento, de acordo com a atualização mais recente da prefeitura de Lajeado, às 11h45min.
Débora conta que passou dois anos vivendo com o aluguel social, após as enchentes de 2023, na expectativa de ganhar uma nova casa, porém isto nunca foi concretizado por problemas de laudos. Naquela inundação, ela ficou 15 dias abrigada no parque. Sem alternativa, voltou para sua antiga residência, precisando comprar novos materiais. Débora contou que, na última madrugada, ela e a família foram dormir acreditando que a água chegaria apenas à cota de 19 metros, o que os manteria em segurança.
“Mas a gente foi surpreendido pela Defesa Civil nos avisando que precisávamos sair às pressas, porque a previsão havia subido para 23 metros”, comentou ela.
Este nível, segundo ela, encobre totalmente sua casa. “Agora estou bem abrigada aqui. As perdas materiais são secundárias. O importante é a vida. As coisas a gente reconstrói, traz de volta. A vida não reconstruímos mais”.
Resgate também foram realizados ao longo da manhã no bairro São José, também em uma área baixa do município, inclusive de animais, com a presença de um veículo do Canil Municipal. Uma idosa de 82 anos com Alzheimer foi removida no colo a partir de sua casa, em uma rua próxima, até um veículo de familiares, na esquina das ruas Borges de Medeiros e General Osório, junto à Arena do Zequinha, onde é a base da Administração mais próxima das inundações.
De acordo com informações da Prefeitura, 35 cães havia sido levados do Parque do Imigrante até o canil, número que deve aumentar nas próximas horas.