Cidades

“As pessoas vão olhar com mais carinho para as virtudes daqui”, diz moradora da Vila dos Papeleiros após ter parede revitalizada

Voluntários da ação Paredes com Propósito estiveram neste domingo na comunidade

Ação Paredes com Propósito na Vila dos Papeleiros, em Porto Alegre, neste domingo
Ação Paredes com Propósito na Vila dos Papeleiros, em Porto Alegre, neste domingo Foto : Felipe Faleiro / Especial / CP

O presidente da Associação de Reciclagem Ecológica da Vila dos Papeleiros e líder comunitário, Antônio Viana Carboneiro, estava satisfeito na manhã deste domingo, após a revitalização das paredes externas de diversas casas da comunidade, no bairro Floresta, região central de Porto Alegre. Munidos de muitos litros de tintas e vontade de ajudar, voluntários do projeto Paredes com Propósito passaram três dias na região, dando novas caras aos muros afetados duramente pelas enchentes de maio.

“Esta pintura veio bastante a calhar, porque o pessoal estava (com as casas) com a marca d’água bem alta ainda. Uma amiga nossa deu a ideia de buscar as tintas para a vila. Fomos atrás e, graças a Deus, conseguimos este povo querido que está aqui”, contou Carboneiro. “Inclusive as doações das tintas pela Renner foram também algo muito gratificante, porque, sem suporte, eles não conseguiriam”, acrescentou.

A amiga citada por ele é a moradora Eliane Dutra, que soube do projeto e resolveu buscá-lo para a oficialmente chamada Vila Santa Terezinha. “Quando a gente voltou da enchente, ficaram muitas marcas na parede, então isso ficou muito na minha cabeça. Tive a ideia e contatei os voluntários, e perguntaram o que eu queria. Essa vai ser uma iniciativa para o pessoal olhar com mais carinho para as virtudes daqui. O povo da Vila dos Papeleiros é muito trabalhador”, comentou ela.

Liderado pelo artista Jotape Pax e pela produtora cultural Kami Rosito, o Paredes com Propósito já realizou ações similares no Quilombo do Areal e os arredores Escola Estadual de Educação Infantil Vitória, no bairro Humaitá. Segundo os organizadores, até o momento, 80 lares já foram pintados, com a meta inicial de alcançar 250 casas na primeira fase do projeto. A professora de Inglês e voluntária Bruna Oliveira disse que soube da ação por meio de um amigo.

“Essa ideia de levar cor para um lugar que ficou bege por causa da enchente é algo muito simbólico. Fiquei feliz na oportunidade de fazer parte disto, porque é uma experiência muito bonita e potente. Eu nunca tinha pintado antes, e além de aprender, acabamos conhecendo as pessoas da comunidade e suas histórias. É muito bonito ver a empolgação das pessoas com as artes. Uma moradora queria flores na casa dela e assim foi feito”, destacou ela.