O presidente da Associação de Reciclagem Ecológica da Vila dos Papeleiros e líder comunitário, Antônio Viana Carboneiro, estava satisfeito na manhã deste domingo, após a revitalização das paredes externas de diversas casas da comunidade, no bairro Floresta, região central de Porto Alegre. Munidos de muitos litros de tintas e vontade de ajudar, voluntários do projeto Paredes com Propósito passaram três dias na região, dando novas caras aos muros afetados duramente pelas enchentes de maio.
“Esta pintura veio bastante a calhar, porque o pessoal estava (com as casas) com a marca d’água bem alta ainda. Uma amiga nossa deu a ideia de buscar as tintas para a vila. Fomos atrás e, graças a Deus, conseguimos este povo querido que está aqui”, contou Carboneiro. “Inclusive as doações das tintas pela Renner foram também algo muito gratificante, porque, sem suporte, eles não conseguiriam”, acrescentou.
A amiga citada por ele é a moradora Eliane Dutra, que soube do projeto e resolveu buscá-lo para a oficialmente chamada Vila Santa Terezinha. “Quando a gente voltou da enchente, ficaram muitas marcas na parede, então isso ficou muito na minha cabeça. Tive a ideia e contatei os voluntários, e perguntaram o que eu queria. Essa vai ser uma iniciativa para o pessoal olhar com mais carinho para as virtudes daqui. O povo da Vila dos Papeleiros é muito trabalhador”, comentou ela.
Ação Paredes com Propósito na Vila dos Papeleiros, em Porto Alegre
Liderado pelo artista Jotape Pax e pela produtora cultural Kami Rosito, o Paredes com Propósito já realizou ações similares no Quilombo do Areal e os arredores Escola Estadual de Educação Infantil Vitória, no bairro Humaitá. Segundo os organizadores, até o momento, 80 lares já foram pintados, com a meta inicial de alcançar 250 casas na primeira fase do projeto. A professora de Inglês e voluntária Bruna Oliveira disse que soube da ação por meio de um amigo.
“Essa ideia de levar cor para um lugar que ficou bege por causa da enchente é algo muito simbólico. Fiquei feliz na oportunidade de fazer parte disto, porque é uma experiência muito bonita e potente. Eu nunca tinha pintado antes, e além de aprender, acabamos conhecendo as pessoas da comunidade e suas histórias. É muito bonito ver a empolgação das pessoas com as artes. Uma moradora queria flores na casa dela e assim foi feito”, destacou ela.