A Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado realizou audiência pública na Assembleia Legislativa para tratar sobre a prevenção e preparação dos municípios e do Estado para a chegada do "Super El Niño". A sessão que reuniu representantes do poder público, de universidades, de instituições e da sociedade discutiu a situação das cidades mais afetadas pelo evento climático extremo de 2024.
Segundo a meteorologista Catia Valente, do Centro de Monitoramento da Defesa Civil, atualmente o El Niño atua de forma moderada a forte no Estado, mas os dados indicam que se intensificará nos próximos meses, tornando-se muito forte na primavera e no verão. Ela ainda esclareceu que a presença do fenômeno não significa que haverá grandes desastres, já que há muitos outros fatores envolvidos.
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, falou sobre a reorganização do órgão a partir dos eventos extremos de 2023 e 2024. De acordo com o coronel, a estrutura da Defesa Civil do Estado é pelo menos quatro vezes maior que a de 2023. Ele aponta que a Defesa Civil tinha natureza reativa, mas agora o preparo e o cuidado com a prevenção são maiores.
Atualizações
Boeira informou que, das 130 estações meteorológicas adquiridas pelo Executivo, 129 estão instaladas. A última entra em funcionamento nas próximas semanas. Também apontou que, desde março, 100% dos municípios gaúchos estão com seus planos de contingência atualizados e que, nas próximas semanas, será dado início ao mapeamento das áreas de vulnerabilidade e suscetibilidade em todos os 497 municípios do RS.
O coronel disse ainda que o Centro Estadual de Referência para Gestão Integrada de Risco deve ser entregue em 2027 e que serão construídos quatro centros regionais nos municípios de Santa Maria, Lajeado, Caxias do Sul e Pelotas. Rafael Brinkhues, da Secretaria da Reconstrução Federal, atualizou as informações em relação às políticas habitacionais para os atingidos pelas enchentes de 2024. Das 26,5 mil casas aprovadas no critério de casa destruída ou totalmente interditada, 13 mil foram entregues.
Sociedade e Universidades
O professor Fernando Dornelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Ufrgs, citou algumas alternativas para minimizar os impactos das inundações, como a construção, recuperação e ampliação de sistemas de diques, o zoneamento de planícies inundáveis e a realocação de população para áreas seguras e a adaptação para convivência com cheias em casos em que não há alternativas.
Já o professor Marcelo Alonso, da Universidade Federal de Pelotas, defendeu ações a longo prazo para mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos. "Além da precaução e prevenção, precisamos investir em soluções de sustentabilidade", destacou. Em nome do Movimento dos Atingidos por Barragens, Leonardo Maggi defendeu, entre outras medidas, que se criem critérios claros para definir quem é a população atingida e que haja transparência no uso dos recursos destinados à reconstrução.
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