A assinatura do contrato de concessão do Cais Mauá, um dos símbolos de Porto Alegre, deve ocorrer no próximo dia 11 de março, de acordo com a da Secretaria Estadual da Reconstrução Gaúcha, sem mais detalhamentos do processo, por ora. O leilão da área ocorreu em fevereiro de 2024, na sede da B3, em São Paulo, mas meses depois aconteceram as históricas enchentes, suspendendo o processo que repassaria a gestão ao Consórcio Pulsa RS, vencedor do certame.
O investimento deverá ser de R$ 353,3 milhões em obras de modernização, administrando o local pelo período de 30 anos. Com a concessão, o governo estadual estima 45 mil empregos diretos, além de cinco mil indiretos durante a fase de obras e quatro mil permanentes na área do cais depois da revitalização. Enquanto já há data prevista para a assinatura, a retirada do muro da Mauá, outro símbolo relacionado às enchentes, continua em discussão, e não é sabido se este processo será de fato realizado.
A estrutura de concreto, com três metros de altura e 2,6 quilômetros de extensão, foi erguida na década de 1970 como parte do sistema de contenção contra enchentes. Segundo a secretaria, mesmo com a implantação de novos sistemas de proteção previstos na concessão, a exemplo de barreiras fixas e removíveis a serem instaladas antes dos armazéns, uma eventual remoção do muro dependeria de análises técnicas e do aval dos órgãos competentes.
Técnicos holandeses que estiveram em Porto Alegre meses depois das inundações, e portanto depois do leilão de concessão, chegaram a sugerir inclusive um segundo muro entre o Guaíba e os armazéns do Cais Mauá, com até quatro metros de largura, e altura compatível com a proposta turística do local, de modo que não houvesse a vista da água.
Em uma proposta considerada polêmica na ocasião, sacos de areia poderiam inclusive ser postos acima do mesmo, e também realocados conforme a emergência do momento. Este projeto foi uma sugestão dos técnicos a partir de iniciativas existentes na própria Holanda, assim como no Sudeste Asiático. Em Porto Alegre, de maneira geral, a areia não permaneceria permanentemente no novo muro, mas sim os sacos poderiam ser retirados para permitir, inclusive, o trânsito de pessoas sobre a estrutura.