Fundado em 5 de outubro de 2007, o piquete Chilena de Ouro homenageia a espora chilena, apetrecho utilizado no comando de cavalos durante a doma e desenvolvido no país latino-americano. Chama a atenção, no amplo espaço montado no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, a grande quantidade de itens históricos, muitos pendurados na entrada e arrecadados de familiares e amigos, enchendo os olhos de turistas e demais visitantes. O local passou a integrar o acampamento em 2008, e somente não atuou em dois anos de pandemia.
Além das esporas, “borrachões” de guampa, carcaças de antigos armamentos, botas de garrão de potro e mangos com adagas ocultas ponteiam os espaços, e cada item tem devida explicação. São cinco patrões no local: Marcos Gonçalves, Maurício Kayser, Argeu Lucas, Sidney Karczeski e Dídimo Alves de Souza Neto, este último morador da Vila Elizabeth, bairro Sarandi, zona Norte da Capital.
Souza Neto contou, porém, que um dos itens mais valiosos do espaço é uma antiga placa da rua Onofre Pires, bairro Azenha, obtida por um amigo paulista a partir de um material que seria jogado fora após uma manutenção, item este que foi bem avaliado por antiquários, ainda segundo ele. O logradouro homenageia o militar, um dos líderes da Revolução Farroupilha, e que chegou a duelar com seu primo Bento Gonçalves.
“É muito família, faz parte das nossas vidas. Temos uma parceria muito forte de amizade, de honestidade e companheirismo que faz com que isso aqui dê certo”, disse Souza Neto. “Fizemos o primeiro galpão com três martelos e um serrote, mas hoje conseguimos dispor de materiais profissionais de carpintaria”. Como habitante de uma das áreas mais conflagradas pelas enchentes de 2024 na Capital, ele contou ter enfrentado e superado todas as adversidades.
Na média, o Chilena de Ouro, iniciado como Chilena de Prata, mas obrigado a mudar de nome após um homônimo ser identificado no acampamento, recebe por volta de três mil a quatro mil visitantes por ano, realizando ainda projetos sociais, como em parceria com instituições que cuidam de crianças em situação de vulnerabilidade e idosos atendidos por Centros de Referência de Assistência Social (CRASs). “Quando termina, estamos só esperando chegar o ano que vem para podermos participar de novo e cultuarmos as tradições como a gente gosta”, pontou o membro da patronagem.