O projeto "A Voz da Mulher Catadora" formou no mês de março uma turma de 30 lideranças femininas, composta por mulheres que atuam em cooperativas de reciclagem na cidade de Canoas e que foram atingidas pelas inundações de maio do ano passado. A iniciativa, idealizada pela Apoena Socioambiental e financiada pelo Instituo Gaia, teve como objetivo instruir e qualificar as mulheres catadoras para que possam obter uma melhor organização financeira, desenvolver ações de mitigação e adaptação frente às mudanças climáticas, bem como promover e fomentar a prática de resíduo zero dentro da comunidade onde estão inseridas e na multiplicação de conhecimento.
Uma das ministrantes da formação, Ana Carolina Dutra, da Apoena Socioambiental, destaca que "no Brasil, são mais de um milhão e meio de catadores. Destes, 70% são mulheres e elas precisam ocupar espaços de liderança". O projeto "A Voz da Mulher Catadora" ofereceu 14 encontros, que incluiu oficinas de capacitação em gestão financeira, empreendedorismo, cooperativismo, mudanças climáticas, resíduos zero, comunicação, além de atividades de desenvolvimento pessoal, profissional e oratória.
Conforme Ana Carolina, a partir de agora elas estão mais preparadas para enfrentar os desafios do dia a dia, defender seus direitos e construir um futuro com mais oportunidades e reconhecimento. A catadora da Unidade de Triagem Vila Pinto de Porto Alegre, Ana Paula Medeiros, ressaltou o quanto o trabalho na gestão dos resíduos é importante para dar dignidade às milhares de mulheres que encaram a esteira diariamente. "Nós mulheres catadoras exercemos um papel fundamental nas unidades de triagem, nas vidas das nossas famílias, mas também para a saúde da população e do meio ambiente".
A embaixadora do programa Lixo Zero e integrante da Apoena Socioambiental, Daiana Schwengber, explica que o projeto está na terceira edição e foi pensado para alavancar o empoderamento das mulheres catadoras nas cooperativas, pois são a maioria nos galpões de reciclagem. "A ideia, ainda, é demonstrar para estas mulheres a importância do trabalho que elas vêm realizando. Elas entram para as cooperativas para gerar trabalho e renda, pois na grande maioria são mães solo. Nestes encontros ajudamos as mulheres a compreender o impacto positivo do trabalho que desenvolvem junto ao meio ambiente e para a sociedade. Elas fazem a diferença no mundo."