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Cientista Carlos Nobre projeta El Niño intenso a partir de junho e reforça alerta ao RS

Pesquisador destacou gravidade da emergência climática durante evento do TCE

Climatologista Carlos Nobre alertou para efeitos da emergência climática no Brasil
Climatologista Carlos Nobre alertou para efeitos da emergência climática no Brasil Foto : Mauro Schaefer

“Já há previsões sobre esse El Niño e elas indicam que a probabilidade de ser um fenômeno fraco é muito pequena. Alguns cientistas começam a dizer que ele pode ser muito forte, como em 2024. Então, é preciso iniciar uma preparação muito grande em todos os estados do Sul.” O alerta foi feito nesta quarta-feira pelo climatologista Carlos Nobre, durante a abertura do Congresso Internacional Rede de Controle e Pós-COP30, evento promovido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A iniciativa reúne, até sexta-feira, especialistas do Brasil e do exterior para discutir o papel das instituições de controle na resposta à emergência climática. A proposta é avançar no debate sobre governança, financiamento, monitoramento e adaptação após a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, em novembro do ano passado.

Um dos palestrantes e cientista mais influentes do Brasil e referência internacional, Carlos Nobre lembrou da previsão de El Niño a partir de junho deste ano. O fenômeno consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e aumenta as chances de grandes volumes de chuva na Região Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul.

“É muito importante já começar uma preparação. As previsões meteorológicas já são bastante precisas. Mas, para resolver situações como a remoção de milhares de pessoas em áreas de risco, é fundamental que todos estejam informados e preparados. Quando a Defesa Civil disser: ‘Saiam daí, esse rio vai inundar, esse lago vai transbordar, essa encosta pode deslizar’, todos devem estar prontos para agir”, alertou.

Conforme o cientista, o El Niño está previsto para começar em junho, com pico de intensidade entre agosto, setembro e outubro.

Ponto de não retorno

Nobre também defendeu a adoção de soluções baseadas na natureza, como a retirada de populações de áreas de risco e a restauração da vegetação em encostas. Durante sua palestra no evento promovido pelo TCE, destacou a gravidade da atual emergência climática.

“Nunca a civilização viveu uma emergência como a atual. O aquecimento global já está atingindo 1,5°C, como ocorreu nos últimos três anos. É fundamental nos prepararmos, reduzir riscos futuros e melhorar a adaptação”, afirmou.

Segundo o cientista, as características do bioma gaúcho, o Pampa, podem garantir maior resiliência em comparação a outras regiões do Brasil.

“Tenho realizado pesquisas há décadas que mostram que biomas brasileiros como Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga estão próximos do ponto de não retorno. Se continuarmos com o aquecimento global e o desmatamento, esses biomas podem atingir esse limite até 2040 ou, no máximo, 2050. Isso trará enorme impacto em toda a América do Sul, inclusive aqui”, explicou.

Abertura oficial do Congresso Internacional Rede de Controle e Pós-COP30 | Foto: Mauro Schaefer

Ações conjuntas

A conselheira-substituta do TCE, Daniela Zago, destacou a importância de reunir professores, cientistas e gestores públicos de diferentes partes do mundo para compartilhar informações voltadas à mitigação da emergência climática.

“Estamos em rede, compartilhando conhecimento. Se pudéssemos resumir o nosso congresso em uma palavra, seria ‘semear’. Estamos semeando ideias e trocando informações para atuar de forma mais eficiente”, afirmou.

O evento segue até sexta-feira, com carga horária de 22 horas e certificação ao final. As inscrições e a programação completa estão disponíveis no site do TCE.

Abertura oficial do Congresso Internacional Rede de Controle e Pós-COP30 | Foto: Mauro Schaefer

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