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Com galpão “sem porteira”, patrão faz do Acampamento Farroupilha uma segunda casa há 24 anos

Edinei Borges participa do evento desde 2002 e, desde 2017, passa o período do acampamento instalado no Parque Harmonia

Edinei Borges é o patrão do piquete Centauros do Pampa
Edinei Borges é o patrão do piquete Centauros do Pampa Foto : Camila Cunha

Há 24 anos, Edinei Borges, de 46 anos, “pisa no barro”, como ele mesmo descreve, do Parque Harmonia durante o Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre. Desde 2002, ele participa do evento de diferentes formas. Já foi visitante, assador e até caseiro de Piquete Centauros do Pampa em que, desde 2017, se tornou patrão.

Desde então, a relação ficou ainda mais próxima com o tradicional evento da Capital. Durante os dias de montagem e de programação, o parque também vira sua casa. “Desde 2017, quando eu consegui o meu galpão, eu viro o patrão dos Centauros do Pampa e, desde então, quando chega a montagem, a gente já se muda para o parque. A minha residência, o meu CPF, vira o Parque Harmonia. Aqui a gente fica acampado durante todos os dias”, conta.

Durante a manhã de terça-feira, a rotina era de preparação para uma noite que promete ser especial. Borges comemora aniversário e decidiu reunir amigos no piquete. Enquanto um porco assava lentamente no rolete, uma costela janela, uma costela de ovelha e uma paleta de ovelha aguardavam a vez de ir para a brasa.

A carne, no entanto, é apenas parte da maneira como o Centauros do Pampa recebe quem chega. O piquete tem mais de 20 sócios assíduos, mas a quantidade de pessoas que passa pelo galpão pode ser muito maior.

Segundo Borge, a única regra é que quem chega ao local é automaticamente convidado a participar. “O meu galpão não tem porteira, não tem restrição para quem chega. Eu tenho histórias com pessoas de Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Paraná. Sábado agora eu estou atendendo o pessoal que vai comemorar o aniversário do homem, que mora no Paraná e vem comemorar dentro do meu galpão”, relata.

Para Borges, é essa abertura que resume a principal lembrança construída ao longo dos anos no acampamento. Ele destaca que, mais importante do que a estrutura ou eventos, estão os encontros com pessoas de diferentes lugares, que acabam conhecendo a cultura gaúcha dentro do Acampamento. “Eu acho que todos os piquetes do Harmonia deveriam ser assim, sem porteira. Nós, participantes, temos essa hospitalidade do povo gaúcho, mas, além de falar, temos que mostrar na prática essa receptividade”, afirma.

A hospitalidade também foi percebida por quem conheceu o piquete nesta terça-feira. Aposentado, Ermes Fernando Morais, 60 anos, visitava o Acampamento Farroupilha quando acabou entrando no Centauros do Pampa. “Passei aqui e fui bem recepcionado. É um trabalho muito bom, com uma hospitalidade grande”, conta.

Movimento ainda é discreto

A manhã e o início da tarde desta terça-feira ainda tinham movimento discreto de visitantes, mas a presença dos participantes dos piquetes já era visivelmente maior. Muitos espaços funcionavam durante o dia e preparavam as carnes para os grupos que chegariam à noite.

No Centauros do Pampa, Borges afirma que a expectativa é de que o movimento aumente ao longo da noite, com a comemoração do aniversário e o churrasco preparado sem pressa.

Para o patrão, a expectativa é que o público cresça ainda mais nesta edição. Depois de cerca de 2 milhões de visitantes no ano passado, ele acredita que o acampamento possa chegar a 3 milhões em 2026. “De todos os anos, a expectativa é sempre a melhor possível. A gente quer cada vez mais gente, pois o nosso parque é mais limpo, mais seco e melhor cuidado. A cada ano que passa, a nossa expectativa é melhor”, completa.

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