Cidades

Congresso internacional debate em Porto Alegre experiências de Itália e Holanda para prevenir e responder a desastres

Evento no Centro de Eventos da PUCRS reúne especialistas para discutir desafios e estratégias de mitigação a tragédias climáticas

O Governo do RS, por meio da Defesa Civil do Estado, junto ao ICLEI, promove o Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil (CIPDC)
O Governo do RS, por meio da Defesa Civil do Estado, junto ao ICLEI, promove o Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil (CIPDC) Foto : Camila Cunha

O segundo dia do Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil (CIPDC) e 4º Encontro Nacional do Iclei Brasil, realizados conjuntamente no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre, debateu iniciativas internacionais relacionadas à prevenção e resposta a desastres. Centenas de pessoas acompanharam os painéis, principalmente membros de escritórios da Defesa Civil, acadêmicos e demais autoridades. O evento, com apoio do governo do Estado, começou na quarta-feira e encerra nesta sexta.

Especialistas globais de países europeus debateram suas estratégias, evidenciando que a proteção eficaz dos territórios exige tecnologia, mapeamento e, especialmente, compromisso político a longo prazo. Bruno Bevilacqua, representante da Província Autônoma de Trento, na Itália, apresentou as experiências locais, salientando a proteção baseada em dados. Em Trento, de acordo com ele, há uma rede de cerca de 300 estações de monitoramento hidrometeorológico, que embasam a criação de mapas de risco físico, hidrogeológico e de avalanches.

“Nossos mapas de perigo nos servem para ditar o que o urbanismo deve fazer. Esta é a força de prevenção mais importante. Os planos de proteção civil são a base”, comentou ele, destacando que os mapas não apenas são informativos, como criam uma restrição, onde os municípios ficam proibidos de autorizar novas construções ou ampliações.

Ainda, comentou a respeito do ciclo de resposta local, focada na previsão, prevenção, proteção, gestão de emergências e recuperação de danos, integrando, por exemplo, a linha telefônica comum de emergência da União Europeia, módulos de saúde transportáveis que podem ser construídos de forma autônoma, em fase de certificação junto ao órgão europeu, e um centro logístico com contêineres pré-equipados e materiais prontos para montar rapidamente acampamentos na resposta a tragédias.

O especialista Peter Glerum, da Agência Governamental dos Países Baixos, disse na sequência que a “verdadeira prevenção exige uma trajetória longa e contínua”, mas alertou ser comum em diversos países a mudança somente ocorrer após desastres, inclusive na própria Holanda, onde a postura política sofreu alterações após inundações devastadoras na década de 1950, requerendo investimentos bilionários recorrentes em prevenção. “Mudar a prevenção é realmente uma corrida de longo prazo. Tendemos a esquecer depois de dez, 15 anos depois, o quão ruim foi a tragédia, e tendemos a focar em outras coisas”, disse Glerum, que atuou na consultoria após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.

Ele afirmou ter visto “muitas mudanças acontecendo” e elogiou o sistema de resposta rápida após a tragédia climática. Para o holandês, para manter a vontade política é sugerido um comprometimento comum; legislação específica, como é o caso da Lei Delta, em seu país; um órgão consultor independente, e especialmente financiamento contínuo.

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