Durante cerca de dez anos, Paulo Roberto Bittencourt, 62 anos, frequentou o Acampamento Farroupilha apenas como visitante. Servidor público aposentado, ele saía do trabalho e se dirigia ao Parque Harmonia algumas vezes por semana, onde permanecia até a madrugada, antes de voltar para casa. Desde o ano passado, porém, a relação com o Acampamento mudou e ele passou a viver a rotina do evento por dentro.
Bittencourt é o responsável pelo Piquete Charla de Galpão, situado na Zona Norte de Porto Alegre, e um dos mais tradicionais do Harmonia. O patrão participa principalmente nos finais de semana, enquanto Bittencourt permanece no local durante todo o período. Neste ano, ele chegou em 27 de agosto e pretende ficar até 23 de setembro. “Eu venho no Acampamento Farroupilha há bastante tempo, mas é o segundo ano que trabalho. É totalmente diferente essa rotina aqui”, comenta.
Ao lado da esposa, a auxiliar de cozinha Cleonice Aguiar, de 58 anos, Bittencourt mora no piquete durante todo o período de evento. O casal conta que abre o local às 8h e permanece até a madrugada. O café da manhã e as refeições são preparados no fogão campeiro, a lenha. Cleonice, inclusive, preparava um carreteiro na tarde desta quinta-feira.
O Charla de Galpão em torno de 10 sócios, mas recebe diariamente amigos, conhecidos e visitantes. O espaço é aberto ao público e, quem quiser utilizar a churrasqueira, pode levar a própria carne, enquanto o piquete disponibiliza pratos e talheres. Também é possível preparar outras comidas, desde que os ingredientes sejam levados pelos visitantes. “É um piquete aberto para quem quiser vir. A gente tem os utensílios, a churrasqueira, e o visitante pode consumir as bebidas aqui”, explica Bittencourt.
Grupos que conheceram o espaço no ano passado retornaram neste ano e alguns chegam a reservar o piquete para confraternizações. Há datas previstas para grupos de 40 e 60 pessoas. Segundo Bittencourt, nesses casos não há cobrança pelo espaço e cada grupo organiza a própria comida.
A permanência durante praticamente todo o mês também permitiu que Bittencourt percebesse a mudança no movimento do parque. Segundo ele, o público cresce a cada dia e deve aumentar ainda mais depois do feriado de 7 de Setembro e do término da Expointer.
Para ele, a experiência de permanecer no Acampamento durante quase um mês é uma forma de participar diretamente da preservação da cultura que, durante anos, ele acompanhou apenas como visitante. “Isso que a gente vê aqui só existe aqui no nosso Estado. É uma forma de cultivar a tradição gaúcha. Para nós é uma coisa muito significativa, que mexe com a gente. Passamos o ano todo esperando por esse momento”, completa.
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