Cidades

Destruição e negligência: a enchente em Cruzeiro do Sul

Água do Rio Taquari destruiu casas, arrastou carros e deixou vias intransitáveis

Moradias estão cercadas por água em Cruzeiro do Sul
Moradias estão cercadas por água em Cruzeiro do Sul Foto : Mauro Schaefer

Um dilúvio de água marrom inundou Cruzeiro do Sul. A água do Rio Taquari destruiu casas, arrastou carros e deixou as ruas intransitáveis. Um ginásio na área central do município abriga mais de 300 pessoas. A maior parte delas teve seus pertences e animais de estimação dragados pela água.

Foi a segunda vez que o casal Sandro e Rosângela Soares teve a residência destruída por cheias. A outra ocorreu em setembro. Agora, a casa um vizinho foi arrastada pela água e se chocou contra a deles.

“Por sorte saímos antes do ocorrido e ninguém se feriu. Tínhamos reconstruído a casa, após a chuva em setembro, mas ela desabou por completo novamente. Quem vai nos ajudar?” , se desespera Sandro.

A maioria dos desabrigados, mesmo com poucos recursos, se concentra nos pavilhões do Parque do Imigrante, na vizinha Lejeado. Pode ser por isso que os moradores de Cruzeiro do Sul relatam que o abrigo foi negligenciado pelo poder público.

“Não nos fornecem nem alimentos aqui. Vivemos da doação de voluntários”, disse Tais Garcia da Silva, que não tem notícias dos tios e mais três primos desde segunda-feira.

Claudia Dulios não precisou ir para o abrigo. Ela e a filha de nove anos estão na casa do irmão, Silvano. O desespero de perder a casa, no entanto, é similar ao dos conterrâneos dela.

“Quando soubemos que precisaríamos sair de casa, piramos. Foi um choradeira geral. O que está acontecendo agora é uma loucura. Nunca uma enchente tão violenta”, relatou.

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