O Quilombo Família Machado é um local histórico para a comunidade local do bairro Sarandi, na zona Norte de Porto Alegre. Retomado em setembro de 2012, ele hoje é composto por mais de 240 famílias, somando por volta de 1,6 mil pessoas. Mas ali a intensidade do trânsito na rua Rocco Aloise preocupa os moradores, que precisam também conviver com o excesso de enormes buracos e falta de asfalto em um curto trecho, a partir da rua Dona Alzira, até a avenida dos Gaúchos, na direção do bairro.
Isto faz com que a via, de mão dupla, exija paciência dos motoristas que, em alguns momentos, lotam de veículos a área. A explicação é que esta curta rua, onde está a sede do quilombo, é uma das alternativas mais habituais de quem vem do Aeroporto Internacional Salgado Filho e precisa ir à avenida Assis Brasil via Severo Dullius, inclusive conforme indicado por aplicativos de mapeamento.
“Até conseguimos organizar um pouco aqui, porém esse problema é diário, tanto no horário das 6 horas até umas 9 horas, quanto no período do meio dia e às 18 horas”, disse Luis Rogério Machado, o Jamaica, liderança do quilombo, e cuja família, fundadora do espaço, exerce função social ali há mais de 70 anos. Segundo ele, esse fluxo contínuo, utilizando a Rocco Aloise como atalho, já gerou atropelamentos com mortes de animais, eventuais acidentes e inclusive brigas de trânsito.
A rua Rocco Aloise, no Sarandi, recebeu o apelido de “rua da vergonha” por conta da precariedade
A liderança afirmou ainda planejar acionar órgãos como o Ministério Público e inclusive a Fundação Cultural Palmares e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para buscar acelerar possíveis intervenções, já que a área está em processo de regularização fundiária, que está avançado, confirmou ele. Neste momento, disse ainda o líder comunitário, estão sendo feitas instalações de canos de água, obras estas que, ainda de acordo com ele, devem durar por volta de 90 dias. Estas intervenções são feitas em vias da região do quilombo que ligam à Rocco Aloise.
“Essa área aqui, por causa de toda essa falta de asfalto e estes buracos, fazem com que a comunidade aqui não seja respeitada. É algo que se torna bastante perigoso para os moradores”, salientou Machado. Procurada, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) disse, em nota, que realiza rotineiramente a conservação da rua Rocco Aloise, inclusive no trecho não pavimentado, entre a Dona Alzira e a avenida dos Gaúchos. A pasta informou ainda que a mais recente intervenção do tipo foi feita no último dia 8.