Errata:
Ao contrário da informação divulgada na tarde de segunda-feira, o corpo encontrado no interior do veículo não era Eliane Nunes da Silva, de 43 anos, mas o da filha adolescente Joziane da Silva Rodrigues, de 14 anos. Por volta das 8h30min da terça-feira, o corpo de Juliano Nunes da Silva, de 4 anos, também foi encontrado morto pelos Bombeiros. As buscas por Eliane Nunes da Silva continuam.
“Eu só espero que as crianças estejam no carro, para a gente fazer um enterro decente.” A frase de Ricardo Leodoro, 41 anos, resume a angústia dos familiares que aguardavam nesta segunda-feira o avanço das buscas pelo carro levado pela enxurrada em Caxias do Sul.
O corpo da mulher dele, Eliane Nunes da Silva, 43 anos, foi localizado no no interior do veículo. Os dois enteados de Leodoro, uma menina de 14 anos e um menino de 4, permaneciam desaparecidos até o fim da tarde.
O homem conseguiu sobreviver depois que o veículo em que estava com a família foi arrastado pela força da água, na região da Parada Cristal. Internado após ser resgatado, ele contou que estava consciente quando percebeu que a correnteza começava a tomar o carro.
A família havia saído do bairro Serrano. Eliane levaria o menino para a creche e a adolescente para a escola. Ao chegarem à escola da criança, porém, foram informados de que não haveria aula. Como Leodoro precisava fazer um trabalho em uma empresa na região da Parada Cristal, Eliane decidiu levá-lo até o local.
O trajeto mudou quando entraram em uma estrada de chão que, segundo ele, era conhecida pela mulher, mas não por ele. “Quando a água chegou nas rodas ali, eu disse para ela: ‘Para aqui’. Ela entrou em pânico, estava tremendo no volante e pediu socorro. Ela disse para mim: ‘Socorre as crianças’”, disse.
Leodoro e Eliane abriram os vidros e retiraram os cintos de segurança. Ele tentou tirar o menino da cadeirinha, enquanto a mulher tentava retirar a adolescente. Segundo ele, tudo aconteceu em poucos segundos. “Eu tentei tirar o guri da cadeirinha atrás, enquanto ela tentou tirar a guria. Só que nesse tempo o rio puxou o carro”, lembrou.
A força da água acabou arrastando o veículo. Leodoro diz que foi atingido e perdeu a consciência. “Eu fiquei inconsciente. Eu estava com os pés para o lado da janela. Minha ideia era sair pela janela, tirar o guri e sair pela janela. A água me bateu, me puxou para fora e algo me bateu na cabeça. Eu fiquei meio inconsciente”, afirmou.
Ele não sabe exatamente como conseguiu deixar o carro. Quando voltou a enxergar, estava preso a uma árvore derrubada. “Eu só sentia a água me afogando, não conseguia enxergar nada. Quando consegui enxergar, estava preso numa árvore”, explicou.
Um homem que estava na região ajudou Leodoro a sair da água. Ele recebeu um cobertor e começou a vomitar a água que havia engolido. Em seguida, foi levado pelos bombeiros para atendimento médico. O homem passou pelo hospital e só conseguiu avisar a família depois de acordar. Ainda abalado, ele falou sobre Eliane e os dois filhos dela.
“Ela é uma excelente mãe. Trabalhava em dois empregos. Saía de casa de manhã e só chegava às 23h. Nós nos encontrávamos só à noite”, contou.
O menino de 4 anos, segundo Leodoro, o chamava de pai. A convivência com a adolescente também era boa. “Ela estava hoje de manhã tomando café e dando risada na mesa. Ninguém esperava que algo assim acontecesse”, completou.
Familiares aguardam por notícias
Enquanto as equipes de resgate trabalhavam na região, familiares permaneciam próximos ao local das buscas. O clima era de consternação e expectativa pela localização das crianças. O avô dos irmãos, desesperado, repetia durante a espera: “Meu mundo inteiro acabou. Eu não tenho mais forças. Minha vida perdeu o sentido”.
O pai das crianças também esteve no local acompanhando as buscas. Durante a tarde, os bombeiros tiveram dificuldades para chegar ao veículo por causa da forte correnteza. O carro havia sido localizado ao longo do dia, mas estava virado e tomado pela água.
Por volta das 17h30min, informações preliminares indicavam que pelo menos uma pessoa podia ser visualizada no interior do veículo. A chuva voltou a cair na região, em alguns momentos com intensidade, dificultando novamente o trabalho das equipes.
As buscas continuavam no início da noite. A Brigada Militar também acompanhava o trabalho do Corpo de Bombeiros Militar, justamente com a Defesa Civil.
Óbito confirmado em Pelotas
Em balanço publicado na tarde desta quarta-feira, a Defesa Civil aponta uma morte contabilizada oficialmente. De acordo com o informe, a Polícia Civil confirmou um óbito ocorrido no município de Pelotas, onde um motociclista teria colidido em um fio que atravessava a rua.