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Exército pretende concluir ponte rodoviária sobre Rio Forqueta até julho

Instalação de estrutura pré-montada depende de obras de aterramento sob responsabilidade de prefeituras de Lajeado e Arroio do Meio

Obra executada pelo Exército Brasileiro
Obra executada pelo Exército Brasileiro Foto : Mauro Schaefer

Iniciadas há duas semanas, as obras de aterramento do que deverão ser as cabeceiras de uma ponte rodoviária sobre o Rio Forqueta, ligando os municípios de Lajeado e Arroio do Meio, no Vale do Taquari, são realizadas em ritmo acelerado, durante 24 horas por dia. A previsão é de que as prefeituras das duas localidades concluam os trabalhos antes de meados de julho, para que o Exército Brasileiro possa, então, instalar uma estrutura que permitirá o tráfego de veículos pesados. As duas travessias rodoviárias que ligavam as cidades foram destruídas pelas forças das águas, na enchente histórica registrada desde o início de maio.
De acordo com o tenente-coronel Diego da Silva Agostini, 44 anos, com as cabeceiras prontas, a ponte metálica, com vão de 50 metros e capacidade para suportar 80 toneladas, poderá ser montada em uma quinzena. “Temos de encurtar o vão da travessia em oito metros”, diz Agostini, enquanto uma escavadeira empurra blocos de pedra para o barranco às margens do Forqueta, na área de Lajeado. Caminhões basculantes transportam o minério desde uma pedreira das proximidades e de outra localizada em Paverama, também no Vale do Taquari. Na tarde de quinta-feira, 30, a escavadeira era operada por Sérgio Moehler, 57 anos, de Cruzeiro do Sul, que afirma trabalhar com disposição redobrada, para ver reconstruídas as cidades da região, que estão entre as mais atingidas pela catástrofe climática ocorrida no Rio Grande do Sul.
O local escolhido para instalação da ponte de suporte logístico, como é denominada pelo Exército, oferece o vão mais estreito do Rio Forqueta e a altura de leito adequada para a segurança da obra. A travessia ficará estabelecida entre os pontos em que se erguiam a ponte da rodovia ERS-130 e a Ponte de Ferro, construída em 1939. Sob comando de Agostini, 116 militares do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, de Porto União (SC), trabalham no projeto, além de atuar na desobstrução e limpeza de vias em Arroio do Meio, Cruzeiro do Sul, Estrela e Lajeado desde o começo de maio. “Fomos acionados no dia 1º. Em duas horas, estávamos partindo”, diz. “Estou pensando em trazer minha mulher para cá”, afirma o tenente-coronel, sem previsão de retornar à cidade catarinense onde reside.
A conclusão da obra é aguardada com ansiedade pela população local, boa parte da qual depende do automóvel para deslocamento entre Arroio do Meio e Lajeado, no acesso ao trabalho, aos estudos ou a serviços médicos, entre outros. Antes da enchente, a cuidadora de idosos Carmem dos Santos, 42 anos, de Arroio do Meio, por exemplo, cruzava o Forqueta diariamente, tanto em razão da atividade profissional quanto para dar andamento ao tratamento médico da filha de cinco anos. “Está muito complicado. Estou indo somente uma vez por semana. Tivemos de interromper o atendimento da minha filha. Precisamos logo desta ponte”, afirma.