Morador do Beco C, quase no topo do Morro da Polícia, no bairro Glória, em Porto Alegre, Giovanni Almeida Rodrigues está preocupado. Amputado de uma das pernas, ele, que mora com a esposa e seis filhos, com idades entre 9 meses e 12 anos de idade, não vê água nas torneiras de sua residência há pelo menos 30 dias. “Não consigo nem ir fazer fisioterapia, porque as pessoas falam que a gente chega sujo. Me sinto discriminado”, contou ele. “E as crianças, para tomar banho, precisam ir elas buscar água em garrafas e baldes. Pedir voto todos os políticos vêm; agora, resolver nossa situação, não acontece”, contou.
Rodrigues não é o único. Cerca de 30 das 150 famílias desta região afirmam não ter o abastecimento também há um mês. Líderes comunitários dizem que a situação é atípica, sendo que a principal causa do problema, segundo os moradores, é a rede construída há 30 anos pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), considerada antiga, e que não deu conta do aumento da população na área desde então.
“Não é a falta de abastecimento, água tem. Só que a manutenção é mal feita”, explicou a liderança comunitária de uma ONG local, Daisy Martins dos Santos. O problema, de acordo com ela, se agravou há cerca de um ano, quando o Dmae instalou um “tampão” em um cano que trazia água diretamente do reservatório acima no morro, bem em frente à casa de Rodrigues, e substituindo ele por uma mangueira menor, o que teria reduzido a pressão e “isolado” determinados moradores.
Moradores do bairro Glória reclamam da falta de água em suas residências
“Temos muitos protocolos, mas eles apenas são encerrados sem solução. O Dmae vem todos os dias, funcionários caminham por aqui, mostramos o percurso, mas eles olham e vão embora”, contou Daisy. Isto também causa outra situação curiosa: moradores do topo e da base do Morro da Polícia tem água, o que não ocorre com as famílias deste beco, que fica no meio, e e cuja chegada requer a subida de bons lances íngremes de escada.
É ali, quase no pé do morro, que está localizada uma enorme caixa d’água comprada pelos moradores, alimentada por uma bomba, que em tese, deveria ser alimentada por caminhões-pipa, mas a última vez que o serviço passou ali, dizem eles, foi em novembro de 2025. O investimento de ambos, mais do encanamento, foi de R$ 8 mil.
Enquanto isso, outra moradora do beco, a aposentada Léa Calage Oviedo, relatou que precisa, muitas vezes, pegar água “emprestada” de vizinhos acima para uso no sanitário e limpeza da casa, o que nem sempre é bem visto por eles. “Minha máquina de lavar só funciona quando consigo água deles. O ideal para nós é bem simples: ter água sempre disponível”, comentou ela.
O que diz o Dmae
Procurado, o Dmae disse em nota que "realiza manutenção corretiva e preventiva na rede de abastecimento de água na região conhecida como Glorinha, no bairro Glória”, e que mantém equipe fixa de atendimento no local. Disse ainda que “as equipes técnicas estão em campo para diagnóstico das causas do desabastecimento, com execução sistemática de pesquisas de vazamentos, reparos em redes e ramais, bem como manobras operacionais para otimização dos níveis de pressão no sistema”.
O Dmae acrescentou que “está promovendo a revisão completa das redes e registros setoriais, com identificação de fugas e execução imediata dos reparos necessários”, e que foram identificadas “ligações irregulares de água”. “Após a conclusão das intervenções e a estabilização operacional do sistema, o abastecimento será restabelecido de forma gradual”, disse a nota do departamento.
Leia a nota completa do Dmae
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que realiza manutenção corretiva e preventiva na rede de abastecimento de água na região conhecida como Glorinha, no bairro Glória.
As equipes técnicas estão em campo para diagnóstico das causas do desabastecimento, com execução sistemática de pesquisas de vazamentos, reparos em redes e ramais, bem como manobras operacionais para otimização dos níveis de pressão no sistema.
O Dmae está promovendo a revisão completa das redes e registros setoriais, com identificação de fugas e execução imediata dos reparos necessários.
Além disso, na região foram identificadas ligações irregulares de água, fator que compromete a capacidade hidráulica do sistema de distribuição.
O Departamento mantém equipe fixa de atendimento na região conhecida como Glorinha. Após a conclusão das intervenções e a estabilização operacional do sistema, o abastecimento será restabelecido de forma gradual. Clientes que permanecerem desabastecidos devem registrar solicitação pelo telefone 156.