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Furto de fios atinge 29 dos 94 bairros de Porto Alegre, aponta levantamento do Sindilojas POA

Maior concentração está na região da Azenha, com 12% dos casos, seguida por São Geraldo, com 9% e Centro Histórico, com 8%

Maior concentração de roubo ou furto de fios e cabos em Porto Alegre está na região da Azenha, com 12% dos casos
Maior concentração de roubo ou furto de fios e cabos em Porto Alegre está na região da Azenha, com 12% dos casos Foto : Divulgação / SMSEG / PMPA

O roubo e furto de fios e cabos já não aparece como um problema concentrado em poucos pontos de Porto Alegre. Recorte territorial do Sindilojas Porto Alegre mostra ocorrências relatadas por comerciantes em 29 dos 94 bairros da Capital. A maior concentração está na região da Azenha, com 12% dos casos, seguida por São Geraldo (9%), Centro Histórico (8%) e Moinhos de Vento (7%).

A dimensão do problema fica ainda mais evidente quando os relatos são cruzados com a quantidade de estabelecimentos comerciais de cada região. A estimativa é de mais de 9 mil lojas potencialmente impactadas. Entre os bairros com maior número estimado de empresas atingidas estão o Centro Histórico (cerca de 1.260 lojas), Sarandi (860), Passo D’Areia (585), Floresta (460) e Rubem Berta (460).

Os efeitos vão muito além da perda do material. Queda de internet e telefonia (80%), falta de energia elétrica (75%), prejuízo financeiro direto (68%), sensação de insegurança (62%) e paralisação das atividades (58%) estão entre os principais impactos relatados.

Em relação ao tempo de interrupção, 29% dos comerciantes afetados ficaram parados por mais de 24 horas, outros 29% entre seis e 24 horas e 29% entre duas e seis horas. O prejuízo estimado por episódio também é expressivo: 39% apontam perdas entre R$ 2 mil e R$ 10 mil e 22% acima de R$ 10 mil.

Para o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o levantamento reforça que o crime precisa ser tratado como um problema que afeta simultaneamente segurança, infraestrutura e atividade econômica.

“O mapa deixa claro que não estamos falando de ocorrências isoladas ou de uma situação restrita a uma região. O problema chega a diferentes bairros, interrompe operações, gera custos para as empresas e aumenta a sensação de insegurança. Precisamos transformar esses dados em ação, com presença nas áreas mais afetadas, fiscalização da cadeia de receptação e uma atuação coordenada entre os órgãos responsáveis”, pontua.

A percepção dos comerciantes sobre a resposta do poder público também permanece crítica: 74% consideram que a atuação não tem sido adequada, enquanto 25% a avaliam como parcialmente adequada. Nos relatos abertos, aparecem com frequência pedidos por mais policiamento e rondas noturnas, fiscalização de ferros-velhos, punição efetiva para a receptação e parceria com a concessionária de energia.

Prejuízos de mais de R$ 240 milhões

Em abril, pesquisa inédita realizada pelo Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre apontou que 81,5% das empresas entrevistadas afirmaram ter sido afetadas por esse tipo de crime nos 12 meses anteriores, com prejuízos estimados em mais de R$ 240 milhões. Para combater os crimes relacionados, a entidade participa do Comitê Intersetorial de Combate ao Furto de Fios e Cabos (Cicabos), promovido pela Prefeitura de Porto Alegre.

Prefeitura se posiciona

A Prefeitura de Porto Alegre divulgou nota destacando que, além do policiamento preventivo, com a Guarda Municipal, ainda realiza operações integradas com outras forças de segurança contra o furto de fios e cabos, além de reprimir a receptação e integrar o Comitê Intersetorial.

Confira a note na íntegra:

"A Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg), por meio da Guarda Civil Metropolitana (GCM), atua em patrulhamentos preventivos e operações integradas contra o furto de fios e cabos, além de reprimir a receptação e integrar o Comitê Intersetorial (Cicabos).

Os prejuízos são expressivos: o Dmae registrou 22 ocorrências no primeiro semestre de 2026, afetando o abastecimento de 287,8 mil pessoas, enquanto a SMSUrb contabiliza 4.651 metros de cabos de iluminação furtados somente neste ano (mais de 30 mil desde 2021). Para coibir a receptação, a Operação Ferro-Velho fechou 43 estabelecimentos nos últimos dois anos. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo 153 ou aplicativo 156+POA.

Instituído pelo Decreto nº 23.870 e coordenado pela Secretaria Municipal Geral de Governo, o Cicabos foi instalado em 27 de julho para articular prevenção, fiscalização e repressão. Reúne Câmara Municipal, BM, Polícias Civil e Federal, Receita Estadual, Trensurb, Granpal, CEEE, SSP-RS, IPSul, Acipa e Sindilojas. Desdobramento de workshop realizado em junho, o Comitê prevê integração de sistemas, cadastro online para comercialização e ampliação do monitoramento tecnológico, além de poder criar grupos de trabalho e celebrar acordos de cooperação.”

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