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Furtos e vandalismo são obstáculos para retorno de aulas na maior escola estadual de Eldorado do Sul

Escola Estadual de Ensino Médio Eldorado do Sul foi a primeira instituição de ensino a reabrir portas no município

Escola Estadual de Ensino Médio Eldorado do Sul
Escola Estadual de Ensino Médio Eldorado do Sul Foto : Camila Cunha

A Escola Estadual de Ensino Médio Eldorado do Sul foi a primeira instituição de ensino no município a reabrir as portas após a enchente. O colégio, que matinha atividades remotas online desde o início de maio, voltou a receber os estudantes na última quarta-feira, o que alimenta a esperança do corpo docente em voltar à normalidade. A retomada, no entanto, esbarra na precariedade de condições do estabelecimento e da cidade, que teve quase toda a área total submersa no dilúvio.

Localizada no bairro Residencial, a escola é a maior da rede estadual no município. A agua chegou a subir 1,8 metros na região, mas não alcançou diretamente o prédio escolar, que fica em um terreno mais elevado em relação ao entorno.

A inundação no estabelecimento não ultrapassou a altura das canelas. Por conta disso, o local serviu de abrigo para aproximadamente 800 pessoas da região. O problema, de acordo com funcionários, foi que um grupo criminoso estava entre os ocupantes e tomou conta do imóvel.

Conforme a vice-diretora Ângela Moraes, os itens e mobiliário da escola foram furtados. Como se não bastasse, a estrutura foi alvo de vandalismo. Foi preciso o auxílio da Marinha do Brasil que, através de uma força-tarefa, retirou entulhos e fez a limpeza do lugar. Os militares permanecem ali, em serviços de pintura, uma vez que as paredes também foram depredadas.

"Estamos em condições extremamente precárias. Tudo o que tínhamos foi furtado. O que não conseguiram levar embora, vandalizaram. Isso ocorreu porque uma espécie de facção se instalou aqui, na período em que a escola serviu de abrigo. Além disso, quebraram parte do telhado para estender um lençol com as inscrições “SOS”, e assim houve infiltração de água da chuva”, lamentou a vice-diretora.

Para substituir o mobiliário danificado, a Secretaria da Educação (Seduc) entregou 428 conjuntos de classe e cadeira e 15 mesas de professores para a escola. No entanto, devido aos reparos em andamento, apenas o andar térreo da escola está em uso, com um esquema de revezamento entre os três anos do Ensino Médio para garantir a continuidade das atividades presenciais.

Ainda de acordo com a vice-diretora, ainda não há condição de retomar o ensino de conteúdos. Ela conta que, dos cerca de 650 alunos, apenas a metade retornou ao colégio. Destes, 20% perderam tudo o que tinham e pediram transferência para outras escolas. A ideia é acolher os estudantes através de atividades lúdicas e jogos com intuito pedagógico, com a expectativa de que isso evite a evasão escolar.

"Nosso objetivo é acolher os alunos e fazer com que eles permaneçam na escola, mas, infelizmente, ainda não há como retomar o ensino de matérias. A maior parte dos alunos perdeu todos os livros e materiais que tinha. Há outros que perderam a casa. Isso prejudica as condições de ensino”, disse a vice-diretora.

Eldorado do Sul tem uma população de aproximadamente 40 mil habitantes, dos quais cerca de 30 mil foram afetados por chuvas e enchentes. De acordo com a prefeitura, a estimativa é que 97% da área urbana e 80% da área total do município ficaram submersas em maio.

O município possui seis escolas estaduais, abrangendo 1.570 estudantes de Ensino Fundamental e Médio. A previsão da Seduc é que todas as escolas da Rede Estadual estejam com aulas presenciais até 5 de agosto, quando começa o segundo semestre letivo.