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Guaíba tem nova cheia e deve subir mais com vazão do Jacuí

Segunda elevação em uma semana deve voltar a alagar as ilhas de Porto Alegre

Rio deve permanecer alto pelo restante da semana e no início da próxima, segundo a MetSul
Rio deve permanecer alto pelo restante da semana e no início da próxima, segundo a MetSul Foto : Alina Souza

A MetSul Meteorologia alerta que o Guaíba entrou novamente em condição de cheia ao atingir a cota de 2 metros no começo da manhã desta quarta-feira (30), com tendência de nova elevação à medida que chegam a Porto Alegre as ondas de vazão dos rios do interior do Estado.

Às 7h, o sistema de monitoramento do governo do Estado registrava 2,06 metros, com alta de 3 cm na última hora, e classificava a situação como de atenção para inundação. A Defesa Civil estadual emitiu alerta laranja (Idap) para a elevação do Guaíba, com risco alto de inundação nas ilhas da Capital.

A medição da MetSul vem da régua eletrônica do Cais Central da Avenida Mauá, no Centro Histórico, ponto oficial de medição da cidade há 150 anos. A cota de inundação ali é de 3 metros. O equipamento foi o único a seguir operando durante a enchente de 2024 e registrou o pico mais próximo da cota máxima oficial calculada pelo Serviço Geológico do Brasil. Os valores costumam ficar acima dos da régua do Gasômetro, usada por alguns sites.

Segundo a MetSul, a cheia atual deve superar a da semana passada, que chegou a 2,17 metros no Cais Central no dia 23. O Guaíba deve permanecer alto pelo restante da semana e no início da próxima, sobretudo por causa do Rio Jacuí.

Por que o Guaíba sobe

Três dos principais rios que desembocam no delta em Porto Alegre apresentam hoje cheia: Jacuí, Taquari e Caí. Os rios Jacuí e Taquari são dois principais contribuintes, assim as ondas de vazão destes dois rios serão determinantes para a cheia maior.

O Taquari atingiu o pico de cheia em Lajeado na madrugada de hoje 23,32 metros, logo abaixo do pico da cheia da semana passada que foi de 24,5 metros. Já o Rio Caí alcançou o pico de cheia de 11,1 metros hoje cedo, cota abaixo dos 14,3 metros da cheia da última semana.

O Jacuí, o maior contribuinte, no entanto, tem cheia maior que a da semana passada. Alcançou um pico no começo da bacia de 9,03 metros em Dona Francisca enquanto o máximo na semana passada foi de 6,3 metros. Além de ter chovido muito na parte inicial da bacia, volumes de chuva de até 250 mm foram observados na parte intermediária do curso do Jacuí no Centro do estado. Assim, há uma onda de vazão significativa do Jacuí ainda por chegar em Porto Alegre.

A tendência, portanto, é o Guaíba seguir subindo, com maior velocidade hoje e amanhã com a concomitância da vazão do Taquari e do Jacuí, seguindo alto por vários dias. Não há qualquer risco de uma enchente como a de 2024, segundo a MetSul, mas as ilhas de Porto Alegre mais uma vez sofrerão com alagamentos.

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Por que é difícil prever

Prever o nível do Guaíba é muito complexo e difícil, uma vez que há uma série de variáveis diferentes das usadas em um prognóstico de nível de um rio apenas. Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias.

O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba. No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba.

Há também a variável do vento (meteorológica), que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial de Porto Alegre. Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade.

Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.