O Rio Grande do Sul é o estado onde os jovens mais experimentam e consomem álcool no Brasil. Dados inéditos divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 65,9% dos estudantes gaúchos entre 13 a 17 anos já experimentaram bebida alcoólica alguma vez na vida, representando o maior índice entre todas as unidades da federação. O consumo recente, medido nos 30 dias anteriores à pesquisa, também lidera no estado, com 31,1% dos adolescentes.
Os números integram a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação. O levantamento ouviu escolares do ensino fundamental e médio em todo o país e traça um panorama amplo sobre comportamentos de risco, saúde mental, sexualidade e hábitos de vida de adolescentes brasileiros.
O segundo lugar no ranking de experiências com bebidas alcoólicas entre os mais jovens fica com Santa Catarina (62,8%), com uma pequena diferença de pouco mais de três pontos percentuais na comparação com o RS.
Em relação à precocidade do consumo, a análise aponta que, na Região Sul, 33,3% dos jovens tomaram sua primeira dose com 13 anos ou menos. Além de indicar o maior índice entre todas as regiões do país, o valor ainda aparece acima da média nacional de 29,3%.
O estudo também destaca o recorte de gênero: entre as meninas gaúchas, a prevalência de experimentação chega a 73,1%, a mais alta do Brasil.
Já os episódios de embriaguez ao longo da vida atingem 41,4% dos escolares brasileiros, com maior prevalência entre alunos da rede pública (42,6%) do que da rede privada (34,8%), levando em conta dados nacionais.
RS também se destaca em índice envolvendo experimentação de drogas
Além de liderar o consumo de álcool entre adolescentes, os dados também mostram que o Rio Grande do Sul segue entre os maiores percentuais quando o tema é experimentação de drogas. Em 2024, o índice do Estado foi de 11,4%, atrás apenas do Distrito Federal, com 12,2%, e à frente do Espírito Santo, com 10,5%. Já os menores resultados foram observados na Bahia, com 4,3%, no Piauí, com 4,7%, e em Maranhão e Sergipe, ambos com 5,5%.
No uso recente, 3,7% relataram consumo de maconha nos 30 dias anteriores à pesquisa e 1,4% disseram ter usado outras drogas nesse mesmo período.
Mesmo assim, a publicação observa que, entre 2019 e 2024, houve redução no uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas, mas avanço preocupante no uso de cigarros eletrônicos, cuja venda é proibida no Brasil.
No tabagismo, outro dado que ajuda a compor esse cenário é o ambiente familiar. O Rio Grande do Sul teve o maior percentual nacional de escolares que disseram ter pelo menos um dos pais fumantes, com 32,6%. O resultado coloca o Estado à frente de Paraná e Santa Catarina e reforça a presença de fatores de exposição ao tabaco no cotidiano desses adolescentes.
Menor taxa de gravidez na adolescência no país
Apesar desses indicadores de risco mais elevados, o Estado apresenta um dado contrastante: a menor taxa de gravidez na adolescência do Brasil, com 2,4%. Entre os estudantes que já tiveram relação sexual alguma vez, 25,3% disseram que a primeira relação aconteceu aos 13 anos ou menos.
O levantamento também mostra que o RS detém os menores índices em uso da pílula do dia seguinte, tanto como método contraceptivo eventual (4,8%) quanto ao longo da vida (31,7%).
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Saúde mental de adolescentes
Na área de saúde mental, o Rio Grande do Sul surge com um dos resultados mais positivos para o indicador “vida não vale a pena ser vivida”. No Estado, 15,1% dos entrevistados disseram ter se sentido assim “na maioria das vezes” ou “sempre” nos 30 dias anteriores à pesquisa, abaixo da média nacional de 18,5%. Os maiores percentuais foram observados no Amazonas e no Amapá, ambos com 23,9%.
A pesquisa também aponta que 64% dos escolares gaúchos deixaram de ir à escola ao menos uma vez nos 12 meses anteriores por motivos de saúde — índice acima da média, embora inferior ao de São Paulo (68,5%), o mais alto do Brasil. Já o acesso a serviços de saúde é expressivo: 75% dos estudantes do RS procuraram uma Unidade Básica de Saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa. Na vacinação contra o HPV, a cobertura chegou a 62,2% entre as meninas e 54,1% entre os meninos.
A Região Sul como um todo ainda se destaca pela melhor infraestrutura digital escolar do país, com 92,5% dos alunos em escolas com computadores para uso individual, 84,8% com laboratórios de informática e 95,9% com acesso à internet. As Regiões Norte e Nordeste apresentaram os menores percentuais nesse indicador, com 44,7% e 44,8% respectivamente.