As consequências do aumento do preço dos combustíveis em geral não se refletem tanto na cadeia industrial brasileira, quanto em outros segmentos. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) emitiu nota, nesta semana, informando não haver dados que indiquem impactos reais sobre o abastecimento no Brasil, no curto prazo.
“Mesmo num cenário hipotético de queda drástica de importações, a indústria química tem capacidade ociosa suficiente para suprir a demanda doméstica”, tranquilizou a entidade. “O conflito ainda não completou um mês e os dados disponíveis não permitem ainda identificar a extensão, em termos de abrangência e duração, de eventuais pressões sobre preços”.
A Abiquim salientou ainda que somente 6% das resinas termoplásticas importadas vêm da Arábia Saudita, ou seja, da área do conflito atual no Oriente Médio, o 5º país de onde o Brasil mais importa. Na liderança absoluta, estão os Estados Unidos, com 40%, seguido pela Colômbia, com 14%, e Argentina, somando 12%. Atrás, aparece o Egito, com 7%. Historicamente, o Brasil importa entre 25% e 30% das resinas que consome, número muito similar ao restante do mundo, afirmou a entidade.
Em 2024 e 2025, o percentual subiu para cerca de 46%, intensificando a ociosidade das indústrias nacionais, e reforçando o baixo risco de desabastecimento. “A resiliência do setor foi testada e comprovada recentemente. Mesmo durante o auge da pandemia de Covid-19, uma crise sem precedentes na História moderna, não houve paralisação sistêmica no fornecimento de insumos essenciais para setores de alimentos, saúde e embalagens”.
As resinas termoplásticas, como PE, PP, PET e PVC, são também derivadas do petróleo, cujo valor, nesta quarta-feira, gira em torno de US$ 102 o barril, distante dos US$ 115 ao qual o produto foi negociado no começo desta semana. “Sobre as especulações de aumentos de preços, a Abiquim reitera que todo o setor produtivo mundial está sofrendo as pressões de aumento de custos decorrentes da elevação do preço do petróleo, assim sendo não se espera que essa situação tenha impactos em padrões de competitividade”.
Quanto ao combustível comercializado nas bombas dos postos, há grande oscilação em Porto Alegre. O litro do diesel é comercializado nesta quarta-feira entre R$ 6,04 no Nonoai e R$ 7,79 na Vila Jardim, enquanto o litro da gasolina comum está entre R$ 6,05, no bairro Tristeza, e R$ 6,75, no Jardim Lindoia.