Com a possibilidade do início da dragagem emergencial dos canais do Guaíba e Lagoa dos Patos cada vez mais próxima, a comunidade portuária se mobiliza para acompanhar o processo de perto. O contrato está em vias finais de ser assinado entre a Ster Engenharia, empresa de São Paulo que auxiliou no mesmo processo no canal do Furadinho, após ser contratada pela Braskem com recursos próprios, e a Portos RS, responsável pela gestão hidroportuária no Rio Grande do Sul.
O assunto deixou a alçada da estatal e, pela primeira vez, ingressou no âmbito da Secretaria Estadual de Logística e Transportes (Selt). Procurada, a Ster afirmou que a documentação estava em vias de preparação, mas não forneceu mais detalhes. Já a Selt disse que terá novidades nas próximas horas, tampouco confirmou os custos. Por ora, continuam fundeados no canal de Itapuã os dois navios envolvidos em encalhes desde o final de outubro, o Mount Taranaki e o EVA Shanghai, bem como não há perspectivas de saída de ambos.
Mesmo com a dragagem iniciando imediatamente, pode levar algum tempo até que haja resultados concretos, na opinião da praticagem da Lagoa dos Patos. No caso da operação da Braskem, o canal do Furadinho, também feito de maneira emergencial, começou a ser dragado em agosto e o serviço foi concluído somente em novembro. A opinião é de que somente com um avanço considerável do serviço os navios poderão iniciar seus deslocamentos até Porto Alegre.
Os recursos para a obra devem constar nos R$ 731 milhões liberados também de maneira emergencial no começo do mês via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Segundo o governo estadual, a Portos RS trabalha com a intenção de dragar, além de Itapuã e o Furadinho, outros canais duramente afetados pelo acúmulo de sedimentos durante as enchentes de maio, como Pedras Brancas, Feitoria e Leitão.